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Moagem de trigo supera 13 milhões de toneladas no Brasil em 2023

O aumento do consumo de trigo no Brasil foi crucial para elevar a moagem nacional, que já ultrapassou a marca de 13 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo. Com base em pesquisa da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), 140 moinhos, pertencentes a 105 companhias, processaram 13,27 milhões de toneladas do cereal no último ano, representando um crescimento de 0,6% em relação a 2024.

Perfil de Consumo em Mudança

De acordo com a Abitrigo, o crescimento da moagem está diretamente ligado à mudança no perfil de consumo dos brasileiros, que demonstram maior interesse por produtos derivados do trigo. Massas, biscoitos, pães congelados e pré-misturas são alguns dos itens que estão em alta. “O brasileiro está consumindo cada vez mais produtos à base de trigo, e o setor cresce acima da população”, comentou Daniel Kummel, presidente da Abitrigo.

A panificação continua sendo a principal destinatária da farinha de trigo, consumindo 30% do total moído pelos moinhos. A indústria de massas viu um aumento significativo, passando a representar 18% da utilização da farinha. Os biscoitos ficaram com 12%, e o varejo, que oferece embalagens de 1 quilo de farinha, correspondeu a 10%. Além disso, os pães industriais também absorveram 9% da produção, dividindo essa porcentagem com as embalagens de 5 quilos.

Regiões em Destaque na Moagem

O Paraná se destaca como a região com a maior moagem anual, processando 3,5 milhões de toneladas. Essa força está relacionada ao histórico do estado como grande produtor de trigo, que possui capacidade instalada para processar 4,4 milhões de toneladas. Em contraste, Santa Catarina e São Paulo apresentam uma diferença considerável entre a capacidade instalada e a moagem anual. Em Santa Catarina, foram processadas 474,6 mil toneladas, enquanto a capacidade se aproxima de 700 mil toneladas. São Paulo moeu 1,7 milhão de toneladas, com capacidade potencial de 2,5 milhões.

O Rio Grande do Sul, também um importante produtor, processou 1,3 milhão de toneladas, com uma capacidade instalada de 1,8 milhão. Apesar do progresso na moagem, a dependência do Brasil em relação às importações ainda é significativa. A produção no último ciclo foi estimada em 7,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo gira em torno de 12 milhões de toneladas, obrigando o país a buscar suprimentos no mercado externo.

Desafios e Oportunidades para o Setor

No Nordeste e no Norte, a dependência de trigo importado é quase total, com 95% da moagem na região proveniente do exterior. São Paulo também apresenta números alarmantes, importando 72% do que processa. No Centro-Oeste, há um equilíbrio melhor, mas mesmo assim a importação responde por 64% do trigo moído. Kummel explicou que essa dependência é uma questão estrutural e logística, já que os moinhos próximos ao litoral conseguem importar trigo de forma mais conveniente do que buscar o produto em outras partes do Brasil.

O cenário global atual apresenta ainda mais desafios. A guerra entre Rússia e Ucrânia elevou os preços do trigo, e tensões recentes envolvendo o Irã e os Estados Unidos aumentaram a volatilidade do mercado internacional. “Esses fatores impactam toda a cadeia de produção”, afirmou Kummel. No entanto, ele assegurou que não há risco de desabastecimento, pois os moinhos trabalham com estoques físicos que garantem fornecimento contínuo ao mercado consumidor, variando entre três e quatro meses.

O foco agora está na variação climática global e seus efeitos sobre a produção agrícola. Kummel alerta para um ambiente incerto que pode complicar a formação dos preços nos próximos meses. Embora o aumento da moagem seja um passo positivo, a estrutura de importação e os desafios externos permanecem como questões cruciais para a indústria de trigo no Brasil.

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