Polícia

Motorista que matou Marina Harkot segue foragido após um mês e defesa tenta reverter prisão no STJ

O empresário José Maria da Costa Júnior, condenado pela morte da ciclista e pesquisadora Marina Harkot, completa neste sábado (6) um mês como foragido da Justiça de São Paulo. Aos 38 anos, ele está desaparecido desde 6 de novembro, quando a 5ª Vara do Júri determinou que sua pena de 13 anos de prisão — imposta em janeiro deste ano — deveria começar a ser cumprida imediatamente. Desde então, equipes policiais tentam localizá-lo.

José Maria havia sido condenado por homicídio doloso com dolo eventual, por dirigir embriagado, em alta velocidade e sem prestar socorro após atropelar Marina em novembro de 2020, na Avenida Paulo VI, em Pinheiros. Mesmo após a condenação inicial, o réu permaneceu em liberdade até que o Ministério Público recorreu e o Tribunal de Justiça entendeu que a prisão era necessária. O mandado foi expedido no dia seguinte ao julgamento, mas ele não foi encontrado na casa em Socorro, no interior paulista, onde disse à Justiça que residia.

Com a fuga, sua captura passou a ser prioridade, e a polícia orienta qualquer cidadão que tenha informações a acionar o Disque-Denúncia pelo número 181, de forma anônima. Paralelamente, a defesa tenta reverter a decisão: o advogado José Miguel da Silva Júnior ingressou com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que seu cliente sofre “constrangimento ilegal”, já que teria direito a recorrer em liberdade. O pedido será analisado em fevereiro de 2026, e a defesa afirma que o empresário estuda se entregar.

Ainda assim, os advogados querem a anulação do julgamento, argumentando que o caso deveria ser tratado como homicídio culposo. Esses argumentos confrontam elementos decisivos da acusação: testemunhas afirmaram que o motorista bebeu uísque com energético antes de dirigir, e um laudo técnico mostra que o veículo estava a 93 km/h — quase o dobro da velocidade permitida — logo após atingir Marina. A ciclista de 28 anos foi atingida por trás e morreu devido a múltiplas fraturas. Além disso, a fuga do motorista reforçou a tese de que ele assumiu o risco de matar.

José Maria nega ter ingerido álcool e também contesta que dirigia rápido. Ele diz que não percebeu ter atropelado Marina e acreditou que o barulho do impacto fosse uma tentativa de assalto. Só dois dias depois procurou a polícia, quando já não era mais possível realizar exame de alcoolemia. Para o júri, contudo, os depoimentos e laudos foram suficientes para comprovar a responsabilidade do motorista, cuja CNH segue suspensa desde o crime.

Mesmo após cinco anos do atropelamento, o caso segue como símbolo da luta por justiça de familiares, amigos e ativistas da mobilidade urbana, que cobram responsabilização de motoristas que colocam ciclistas em risco. Enquanto isso, o empresário permanece desaparecido e sem cumprir a pena imposta pela Justiça paulista.