Polícia

Mulher arrastada por 1 km em SP deve passar por nova cirurgia após complicações no pulmão

A jovem Tainara Souza Santos, vítima de um dos casos mais chocantes de violência registrados recentemente em São Paulo, deverá passar por um novo procedimento cirúrgico nos próximos dias. Internada no Hospital das Clínicas, na capital paulista, ela segue sob cuidados intensivos após ter as duas pernas amputadas em decorrência de um atropelamento seguido de arrastamento por cerca de um quilômetro até a Marginal Tietê.

De acordo com informações repassadas pela família, Tainara apresentou complicações respiratórias que exigiram atenção redobrada da equipe médica. No fim da semana passada, ela chegou a sair do coma induzido e foi extubada, mas acordou em estado de agitação e tentou retirar o tubo da ventilação mecânica. Diante da situação, os profissionais precisaram imobilizar suas mãos para evitar riscos maiores.

No sábado (13), o quadro clínico se agravou após a paciente desenvolver um pneumotórax, condição caracterizada pela entrada de ar no espaço entre o pulmão e a parede do tórax, o que compromete a respiração. Por esse motivo, Tainara precisou ser entubada novamente e passou por um procedimento de drenagem torácica. Segundo familiares, apesar da gravidade, a pressão arterial permanece estável.

Uma cirurgia que estava prevista para esta segunda-feira (15) acabou sendo adiada por decisão médica, e ainda não há uma nova data confirmada. A equipe do Hospital das Clínicas também avalia a possibilidade de realizar uma traqueostomia, procedimento que pode ser necessário para auxiliar na respiração por um período prolongado.

Emocionada, a mãe da jovem, Lúcia Aparecida Souza da Silva, relatou que a filha ainda deverá enfrentar uma longa sequência de intervenções cirúrgicas. Desde o dia do crime, em 29 de novembro, Tainara já passou por ao menos duas cirurgias de amputação, colocação de pinos no quadril e procedimentos complementares, como enxertos de pele. Segundo a família, cada nova intervenção deixa a paciente mais debilitada, exigindo cuidados constantes.

Descrita por amigos e familiares como uma pessoa alegre, carinhosa e muito próxima dos filhos, Tainara é mãe de duas crianças, de 12 e 7 anos. Após o ataque, ela foi socorrida inicialmente no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, conhecido como Vermelhinho, onde permaneceu internada por alguns dias antes de ser transferida para o Hospital das Clínicas, referência em casos de alta complexidade.

O agressor, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, foi preso no dia seguinte ao crime em um hotel na Vila Prudente, na Zona Leste da capital. O caso é investigado como tentativa de feminicídio. Segundo as apurações, o ataque ocorreu após uma discussão em um bar na Zona Norte de São Paulo, onde a vítima estava acompanhada de amigos.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Tainara é atropelada e arrastada por vias da região até a Marginal Tietê, enquanto testemunhas tentam, sem sucesso, impedir a fuga do motorista. Após ser localizado pela polícia, Douglas tentou reagir à prisão e acabou baleado. Às autoridades, ele alegou que teria fugido sem perceber que a vítima estava presa ao veículo, versão que é contestada pelas investigações.

O caso segue mobilizando familiares, amigos e entidades de defesa dos direitos das mulheres, que apontam o episódio como mais um retrato da escalada da violência de gênero na cidade de São Paulo em 2025.