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Mulher morta após casamento em SP: pode a união ser anulada?

Mulher morta após casamento em SP: pode a união ser anulada?

Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, foi morta a tiros pelo marido, o guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, em Campinas (SP), horas após a oficialização da união, no sábado (9). O caso traz dúvidas sobre os mecanismos legais para anulação de uma cerimônia de casamento no Brasil.

Na legislação brasileira, a anulação reconhece a invalidade do ato, como se a cerimônia nunca tivesse ocorrido legalmente, retornando os envolvidos ao status de solteiros. O divórcio, por outro lado, rompe o casamento válido a qualquer tempo.

O crime ocorreu durante uma confraternização, após a cerimônia de união estável do casal, no interior de São Paulo. Mas afinal, o casamento pode ser anulado?

Diferenciação entre anulação e divórcio

A anulação de casamento é uma espécie de nulidade que ocorre quando há desrespeito à lei ou às formalidades.

O Código Civil brasileiro, no artigo 1.550, lista quando a anulação de um casamento é possível:

A anulação por erro essencial exige que o crime ou o fato desonroso seja anterior ao casamento e ignorado pelo outro cônjuge.

Como o crime em Campinas ocorreu após a celebração, a hipótese de anulação torna-se juridicamente complexa, uma vez que o vínculo já estava formado e o ato da celebração em si — ao menos o que se sabe até o momento — não apresentou vício de origem no momento da assinatura.

Perfil do agressor e situação legal do caso

Daniel Barbosa Marinho atua como Guarda Civil Municipal em Campinas há pelo menos 22 anos.

O agente foi encaminhado à cadeia pública do 2º Distrito Policial da cidade e o caso será apurado administrativamente pela corporação.

O caso foi registrado como feminicídio e violência doméstica na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas.

Feminicídios em São Paulo: um alerta

O crime ocorre em um período de alta violência de gênero no estado. São Paulo registrou 86 casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, o maior número da série histórica para o período, representando um aumento de 41% em relação ao ano anterior.

Em todo o Brasil, o primeiro trimestre de 2026 foi o mais letal da história para mulheres, com uma vítima a cada cinco horas.

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