A forte ventania que atingiu São Paulo na tarde de quarta-feira (10) provocou a primeira morte registrada na capital durante o período da Operação SP Sempre Alerta. A vítima, Claudineia Perri Castiglioni, de 54 anos, estava no bairro de Sapopemba, na Zona Leste, quando um muro desabou e a atingiu com violência. O episódio ocorreu no mesmo dia em que a cidade enfrentou um vendaval histórico, impulsionado por um ciclone extratropical que avançava pelo litoral do Rio Grande do Sul e irradiava seus efeitos para grande parte do Sudeste.
Claudineia foi socorrida pelo Samu com quadro gravíssimo: traumatismo cranioencefálico e fratura no fêmur. Mesmo recebendo atendimento emergencial e sendo encaminhada ao Hospital Geral de Sapopemba, ela não resistiu aos ferimentos. A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como morte suspeita/acidente no 69º Distrito Policial (Teotônio Vilela), que solicitou perícia no local e exames ao Instituto Médico Legal para detalhar as circunstâncias do desabamento.
A Defesa Civil do Estado confirmou que esta é a primeira morte na capital associada aos eventos meteorológicos extremos que marcam o início oficial da temporada de chuvas e riscos — a chamada Operação SP Sempre Alerta, que vai de dezembro a março. No interior, uma segunda morte foi registrada em Campos do Jordão, onde um morador foi atingido por um deslizamento de talude causado pela tempestade da noite de terça-feira (9).
O vendaval deixou uma trilha extensa de danos por toda a Região Metropolitana de São Paulo. No pico da crise, mais de 2 milhões de imóveis ficaram sem energia elétrica, interrompendo totalmente a rotina de bairros inteiros. Centenas de árvores caíram — algumas bloqueando vias importantes —, parques precisaram ser fechados e o comércio acumulou prejuízos expressivos. A força e a duração do vento chamaram a atenção de meteorologistas: o fenômeno, segundo especialistas, não encontra precedentes na capital, especialmente pela manutenção das rajadas sob céu firme, sem chuva, por mais de 12 horas seguidas.
Na manhã desta sexta-feira (12), mais de 50 horas após o vendaval, cerca de 750 mil imóveis ainda permaneciam no escuro, de acordo com boletim atualizado da Enel. A falta de energia segue afetando serviços essenciais. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) relatou que 167 semáforos estavam apagados por falta de energia, gerando lentidão e risco de acidentes. Outros 13 apresentavam falhas ou funcionamento intermitente.
O impacto também atingiu a mobilidade aérea: os aeroportos de Congonhas e Guarulhos enfrentaram dois dias de cancelamentos, longas filas e passageiros dormindo nos terminais. Embora a operação tenha sido normalizada nesta sexta, o acúmulo de atrasos ainda causa reflexos nas conexões nacionais e internacionais.
Diante do cenário, equipes de emergência, concessionárias e órgãos estaduais seguem mobilizados para recuperar áreas afetadas, restabelecer serviços e monitorar possíveis novos eventos climáticos extremos. A cidade ainda contabiliza perdas estruturais e econômicas, enquanto moradores tentam reorganizar a rotina após um dos episódios mais críticos de ventania já registrados em São Paulo.