O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (21) que não está buscando votos entre os evangélicos, apesar da sua forte presença em igrejas e eventos religiosos durante a campanha.
Desde o início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, Tarcísio participou de ao menos nove compromissos em igrejas ou eventos religiosos, a maioria voltada ao público evangélico. Isso levanta questões sobre as motivações do governador para tais aparições.
Opiniões sobre a Relação com os Evangélicos
Questionado se o eleitor evangélico está em disputa nesta eleição, Tarcísio declarou que sua relação com esse público é anterior à campanha. Em suas palavras, “Eu não estou buscando um eleitor evangélico. Eu sou criado numa casa evangélica”. Ele ressaltou que sua presença nas igrejas não é algo novo e que sempre fez parte de sua vida.
O governador também destacou que sua proximidade com esses eventos não tem ligação exclusiva com a corrida eleitoral. “Eu não estou indo às igrejas agora. Eu sempre fui”, afirmou, enfatizando a autenticidade de suas crenças e sua dedicação a projetos de governo que considera alinhados à sua fé.
A Agendas de Campanha
A presença de Tarcísio em eventos religiosos voltou a ganhar notoriedade no último sábado (19), quando ele participou de três compromissos ligados a igrejas. Ele esteve em um culto na Igreja Batista Vida Plena, participou do evento Mega Help 100 Igual da Igreja Universal em São Paulo e também compareceu a um compromisso em Sumaré, no interior do estado.
No culto em São Bernardo, Tarcísio não hesitou em compartilhar sua fé e dedicar seus projetos a Deus, indicando que sua espiritualidade está atrelada ao seu papel como governador. Duas semanas antes, durante o feriado de 7 de Setembro, esteve no culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, onde até fez uma pregação.
Concorrência com Fernando Haddad
A relação de Tarcísio com o público evangélico também se contrapõe à estratégia de Fernando Haddad (PT), seu principal adversário na disputa pelo governo paulista. Haddad participou de seu primeiro evento voltado especificamente ao público evangélico no mesmo dia, reunindo-se com representantes de igrejas Batista, Metodista e Presbiteriana.
Esse cenário demonstra como o eleitor evangélico se tornou um alvo importante para os candidatos. A estratégia de Tarcísio, no entanto, se distanciou do maniqueísmo eleitoral que pode ser percebido em outras abordagens. O governador argumentou que sua relação com os evangélicos é genuína e construída ao longo dos anos, sem qualquer intenção de manipulação.
Ele afirmou que continuará participando de eventos relacionados à sua fé, seguindo sua convicção pessoal. “Toda oportunidade que eu tenho para manifestar a minha gratidão a Deus, eu vou manifestar. Toda oportunidade que eu tenho para dar testemunhos, eu vou dar os testemunhos”, disse Tarcísio, reforçando que suas manifestações religiosas são parte de sua vida e não apenas uma estratégia de campanha.
Na conclusão de suas declarações, Tarcísio reiterou que suas atividades e presença em eventos religiosos não são uma tática para obter votos. “Isso não tem nada a ver com eleição”, afirmou, buscando clarificar que sua espiritualidade faz parte de sua identidade, independente do contexto eleitoral.
Diante desse cenário, a eleição no estado de São Paulo apresenta nuances interessantes, onde, mesmo dentro do ambiente político, a fé continua a desempenhar um papel significativo, tanto para os candidatos quanto para os eleitores. A concorrência por esse voto evangélico está longe de ser somente uma estratégia baseada em números, mas sim uma questão de convicções pessoais e de quem realmente se alinha a essas crenças.
