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Norte Saneamento descarta leilões e foca em aquisições estratégicas

Norte Saneamento descarta leilões e foca em aquisições estratégicas

A Norte Saneamento descarta participar dos grandes leilões de concessão e pretende manter as aquisições e trocas de controle como principal estratégia de expansão da companhia.

Com 85% do portfólio concentrado na Amazônia Legal, a CNN apurou que a empresa mira municípios de pequeno porte e regiões de “desinteresse” dos grandes players do setor.

A ideia é olhar especificamente para lugares que costumam não ser contemplados pelos grandes leilões, formando agrupamentos a partir de cidades que funcionam como polos regionais. A estratégia é adotar um caminho complementar ao dos grandes projetos de universalização, com estruturas de menor escala e mais dedicadas às necessidades de cada comunidade.

Estratégia da Norte Saneamento

A companhia aposta em mercados menores e mais regionalizados, buscando a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, ano-limite estipulado pelo marco legal. Sancionado em 2020, o marco determinou que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90%, à coleta e ao tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.

Com cinco anos de existência, a empresa tem operações em 59 cidades de sete estados: Tocantins, Pará, Maranhão, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso — onde administra cinco concessões adquiridas da Iguá em 2023, nas cidades de Alta Floresta, Canarana, Colíder, Comodoro e Pontes e Lacerda.

O objetivo é reunir ativos em comunidades e lugares que apresentam maiores dificuldades logísticas e operacionais, como a Região Norte. Segundo uma fonte a par da estratégia da companhia, o baixo interesse pelos municípios menores também tem sido observado.

Um exemplo é o Ceará, onde, dos cinco blocos de concessão ofertados pela Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), apenas o bloco do litoral despertou interesse do mercado. Os demais, concentrados no interior e em regiões menos populosas, devem passar por uma remodelagem para atrair investidores.

Em Rondônia, a expectativa é que o próximo leilão, marcado para 29 de setembro, adote uma modelagem diferente, justamente para ampliar a atratividade dos ativos. A avaliação é que essas regiões exigem soluções distintas das grandes concessões estruturadas em escala e concentradas em áreas metropolitanas.

Oportunidades e desafios

Na avaliação do advogado Fernando Vernalha, especialista em saneamento, PPPs e concessões, a estratégia da Norte Saneamento de crescer por meio de aquisições se apoia nas oportunidades abertas pelo reposicionamento dos grandes operadores. Esses operadores passaram a concentrar recursos em concessões regionais de maior porte.

Para Vernalha, a companhia aposta na compra de operações municipais que perderam relevância no portfólio desses grupos, como no caso da Iguá, que priorizou apenas Cuiabá e vendeu as demais operações em Mato Grosso. O especialista acredita que essa estratégia permite à Norte ganhar escala, experiência operacional e acervo técnico, abrindo caminho para que, no futuro, possa disputar projetos maiores.

Visão de futuro

É uma estratégia de aproveitar esse mercado que está à disposição, adquirir expertise para conseguir ler a concessão, seus ativos e passivos, e apostar na capacidade de melhorar a performance do contrato. Pode haver, em um primeiro momento, um movimento de consolidação para adquirir condições de, depois, disputar operações maiores


Fernando Vernalha, advogado e especialista na estruturação de projetos de concessão e PPPs

A Norte Saneamento tem o potencial de transformar a realidade de serviços de saneamento básico em regiões menos atendidas, alavancando práticas que visam à eficiência e à melhoria da qualidade de vida da população. Com um olhar voltado para as particularidades de cada município, a empresa se distancia das abordagens tradicionais de grandes concessões, focando nas necessidades locais e criando soluções adaptáveis.

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