A Justiça de São Paulo condenou oito dos 14 réus acusados de envolvimento no sequestro e extorsão da modelo Luciana Curtis, de seu marido, o fotógrafo Henrique Gendre, e da filha de 11 anos. O crime, ocorrido em novembro de 2024, chocou o país pela violência e pela sofisticação do esquema criminoso, que manteve a família em cativeiro na Brasilândia, Zona Norte da capital, por cerca de 12 horas.
De acordo com a sentença da 18ª Vara Criminal da Barra Funda, a quadrilha agiu com alto grau de organização e frieza. O grupo interceptou o casal e a criança após um jantar no Alto da Lapa, na Zona Oeste, e os levou a um barraco improvisado, onde foram obrigados a fornecer senhas bancárias e transferir mais de R$ 30 mil. O carro da família, avaliado em mais de R$ 200 mil, foi incendiado após o crime.
O líder identificado, Gabriel Valentim de Lima, conhecido como Zequinha, recebeu pena de 28 anos e 9 meses de prisão. O executor, Sérgio Silva Soares, apontado como o responsável por vigiar as vítimas no cativeiro, foi condenado a 33 anos, 3 meses e 10 dias — a pena mais alta entre os réus. Ambos cumprirão a sentença em regime fechado.
Outros seis participantes receberam condenações de 17 anos e 8 meses por terem cedido contas bancárias para movimentar o dinheiro extorquido. Segundo a juíza Ana Paula Mendes Carneiro, os envolvidos faziam parte de uma rede com divisões claras entre núcleos de execução, fraude e lavagem de dinheiro, utilizando Wi-Fi falsos e contas de terceiros para dificultar o rastreamento das transferências.
O cativeiro descrito no processo foi um local insalubre, “sem luz, sem água e com presença de cobras e escorpiões”, segundo relatos da família. Durante o sequestro, os criminosos fizeram ameaças cruéis — uma delas envolvia o autor principal entregar uma bala ao fotógrafo e mandá-lo “imaginar ela entrando na cabeça”.
Além das penas de prisão, os condenados deverão indenizar as vítimas em R$ 30.905,96, valor equivalente ao prejuízo financeiro causado. A defesa de parte dos réus, porém, afirmou que vai recorrer, alegando nulidades processuais e falta de provas concretas contra alguns acusados.
O caso teve ampla repercussão pela brutalidade e pelo fato de envolver uma das famílias mais conhecidas do meio artístico e publicitário de São Paulo. Após o sequestro, a modelo e o marido agradeceram publicamente o apoio recebido e pediram maior rigor contra crimes de extorsão e sequestro na capital paulista.