Uma grande operação coordenada pela Polícia Civil de São Paulo resultou, nesta terça-feira (30), na prisão de 233 homens acusados de crimes de violência doméstica e familiar contra mulheres em diferentes regiões do estado. A ação integra uma ofensiva mais ampla do governo paulista para conter o avanço dos casos de feminicídio e garantir o cumprimento de decisões judiciais voltadas à proteção das vítimas.
Ao todo, a Justiça havia expedido cerca de 1,4 mil mandados de prisão, a maioria relacionada ao descumprimento de medidas protetivas, instrumento legal criado justamente para afastar agressores e evitar a escalada da violência. As prisões começaram ainda na noite de segunda-feira (29) e mobilizaram cerca de 1,7 mil policiais civis, com participação direta das Delegacias de Defesa da Mulher, tanto na capital quanto no interior.
A operação ocorre em um momento crítico. Em 2025, a cidade de São Paulo registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, acendendo um alerta entre autoridades, especialistas e órgãos de controle. Crimes recentes, cometidos em espaços públicos e com extrema violência, ampliaram a comoção social e reforçaram a cobrança por respostas mais firmes do poder público.
Entre os casos que mais chocaram a população está o de uma mulher que foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-companheiro. A vítima teve as pernas amputadas, permaneceu internada por semanas e acabou morrendo em decorrência das agressões, episódio que simbolizou a brutalidade dos crimes e a falha na interrupção do ciclo de violência.
Diante do cenário, o Ministério Público instaurou um inquérito para apurar possível omissão do Estado no enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo a análise de cortes orçamentários em políticas públicas voltadas ao setor. O governo paulista, por sua vez, afirma que o tema passou a ser prioridade absoluta.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a estratégia adotada combina ações repressivas, prevenção e ampliação de políticas de proteção, com foco em impedir que agressores reincidam e em garantir que medidas judiciais sejam efetivamente cumpridas. O secretário Osvaldo Nico destacou que, embora outros indicadores criminais tenham apresentado queda, o feminicídio ainda exige respostas mais eficientes e permanentes.
A iniciativa também está alinhada ao programa SP Por Todas, que busca fortalecer a rede de atendimento às mulheres, ampliar o funcionamento das Delegacias de Defesa da Mulher em regime 24 horas e difundir ferramentas como aplicativos de emergência que conectam vítimas diretamente às forças de segurança.
Para as autoridades, o objetivo central da operação é romper ciclos de violência antes que eles resultem em mortes, reforçando a mensagem de que o descumprimento de decisões judiciais não será tolerado e que a proteção das mulheres deve ser tratada como política de Estado, não apenas como ação pontual.
Operação em São Paulo prende 233 suspeitos de violência doméstica e mira descumprimento de medidas protetivas