A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quinta-feira (4), uma grande operação contra um grupo especializado em lavar dinheiro para diferentes áreas do crime organizado. De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a quadrilha atuava como uma espécie de “serviço terceirizado” de lavagem de capitais, movimentando valores provenientes do tráfico de drogas, estelionato e exploração de jogos de azar.
Os investigadores afirmam que há indícios sólidos de que o esquema tinha ligação direta com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país. Segundo a polícia, o grupo oferecia suporte financeiro estruturado a organizações criminosas, permitindo que grandes somas de dinheiro fossem ocultadas e reinseridas no sistema financeiro com aparência de legalidade.
Ao todo, cerca de 100 policiais cumprem seis mandados de prisão e 48 mandados de busca e apreensão em diversos endereços da capital e da Região Metropolitana de São Paulo. A operação é considerada uma das maiores ações recentes de combate à lavagem de dinheiro vinculada ao crime organizado no estado.
📌 Três núcleos operacionais
As investigações mapearam que o esquema funcionava em três frentes principais:
-
Coletores: responsáveis por recolher os valores ilícitos diretamente nas bases do crime;
-
Intermediários: encarregados de movimentar o dinheiro, esconder sua origem e pulverizar os valores;
-
Beneficiários finais: pessoas e empresas que recebiam o capital já “lavado”, pronto para ser usado ou reinvestido.
A polícia aponta que a estrutura era altamente organizada, com funções rigidamente distribuídas para evitar rastreamento e permitir que grandes volumes fossem movimentados sem chamar atenção dos órgãos de controle.
🏦 Bloqueio de valores e bens
A pedido do Deic, a Justiça autorizou o bloqueio de contas de 20 pessoas físicas e 37 empresas envolvidas no esquema. Além disso, foram sequestrados:
-
49 imóveis,
-
3 embarcações
-
257 veículos, entre carros de luxo, motos e utilitários.
O objetivo é impedir que os investigados continuem usando bens de alto valor para disfarçar o enriquecimento ilícito.
A operação deve seguir ao longo do dia com novas análises de documentos e apreensão de celulares, que podem revelar ramificações ainda mais amplas do esquema.