A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (19), a Operação SP Advocacia Mais Segura para desarticular uma organização criminosa especializada no golpe do falso advogado. A ação ocorre em parceria com a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo) e já resultou na prisão de oito pessoas na capital paulista.
Segundo as investigações, a quadrilha movimentou cerca de R$ 10 milhões em apenas seis meses, entre outubro de 2025 e abril deste ano. O grupo utilizava indevidamente nomes de advogados e falsas decisões judiciais para convencer vítimas a realizar transferências bancárias.
De acordo com a Polícia Civil, os criminosos entravam em contato com clientes que possuíam ações judiciais em andamento e alegavam que valores processuais seriam liberados mediante pagamento prévio. Em alguns casos, os investigados utilizavam tecnologia para reproduzir a voz real dos advogados e dar credibilidade ao golpe.
Ao menos 12 vítimas já foram identificadas. Um morador de São José do Rio Preto perdeu R$ 35 mil após acreditar nas mensagens enviadas pelos golpistas. “O número de vítimas e o prejuízo total podem ser ainda maiores, pois há casos em que não houve registro”, avaliou o delegado seccional de Rio Preto, Everson Aparecido Contelli.
As apurações indicam que a organização tinha estrutura sofisticada e atuação nacional, com indícios de vítimas em outros estados. Segundo os investigadores, apenas uma das presas teria movimentado mais de R$ 3 milhões em contas bancárias sem comprovação de origem lícita.
Ao todo, a operação cumpre 26 mandados judiciais, sendo 10 de prisão temporária e 15 de busca e apreensão, além de ordens de sequestro de bens e valores para eventual ressarcimento das vítimas. A ação mobiliza 70 policiais civis e 25 viaturas em cidades do interior, capital e litoral paulista.
O trabalho é coordenado pelo Centro de Inteligência Policial da delegacia seccional de Rio Preto. Os investigadores agora buscam reunir provas para relacionar o grupo a outros registros do golpe do falso advogado na região. Os presos poderão responder pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Como age a organização criminosa?
No golpe, criminosos se passam por advogados ou funcionários de escritórios para entrar em contato com clientes que possuem processos em andamento. Os golpistas afirmam que a vítima tem valores a receber na Justiça, mas exigem pagamentos antecipados para “liberação”, “custas” ou “taxas processuais”.
Os contatos costumam ser feitos por telefone, aplicativos de mensagens ou redes sociais, muitas vezes com uso de fotos, nomes e dados reais de advogados obtidos na internet. Em alguns casos, os criminosos enviam documentos falsos com aparência de decisões judiciais.
A Ordem dos Advogados do Brasil orienta que clientes confirmem diretamente com o advogado qualquer pedido de transferência bancária e desconfiem de cobranças urgentes fora dos canais habituais de comunicação.
Prejuízos e riscos do golpe
Além dos valores financeiros, as vítimas muitas vezes sofrem danos emocionais e psicológicos após se darem conta do golpe. A sensação de traição e a perda de confiança em advogados podem ser devastadoras. Para prevenir o golpe, é essencial que as pessoas estejam alertas e informadas.
A continuidade da Operação SP Advocacia Mais Segura é crucial para inibir novas abordagens dos golpistas. A colaboração entre a Polícia Civil e a OAB-SP é fundamental para criar um ambiente mais seguro para clientes e advogados. Estruturas como o Centro de Inteligência Policial são vitais para combater a criminalidade e desmantelar organizações que operam fora da lei.
Os cidadãos devem também relatar qualquer atividade suspeita às autoridades. O aumento de denúncias pode auxiliar na coleta de informações e na atuação policial, promovendo um sistema de justiça mais eficiente e confiável.

