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PF e Ministério da Agricultura fiscalizam depósitos suspeitos de distribuir bebidas adulteradas com metanol em SP

A Polícia Federal e equipes do Ministério da Agricultura realizam nesta quinta-feira (2) uma operação em depósitos de distribuição de bebidas na Grande São Paulo e no interior do estado, investigados por possível contaminação por metanol. A ação ocorre após determinação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e é a primeira do tipo no estado desde a abertura da investigação.

Os alvos incluem um grande depósito em Embu das Artes, que recebe garrafas de bebidas suspeitas de adulteração, e uma instalação em Pilar do Sul, na região de Itapetininga, suspeita de funcionar como fábrica e distribuidora clandestina de álcool, disfarçada como carvoaria. As equipes saíram das sedes da PF na Lapa e em Sorocaba para cumprir a fiscalização.

O alerta sobre bebidas adulteradas vem após o Brasil registrar, até quarta-feira (1º), 43 notificações de intoxicação por metanol, segundo o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional). Desses casos, 39 ocorreram em São Paulo — com 10 confirmados e 29 ainda em investigação — e quatro em Pernambuco. Uma morte já foi confirmada, enquanto sete outras seguem sob apuração, cinco em SP e duas em PE.

A intoxicação por metanol, presente em bebidas batizadas como gin, vodca e whisky, pode causar internação grave, perda de visão e até morte. A substância, usada industrialmente em solventes e produtos químicos, é metabolizada pelo fígado em compostos extremamente tóxicos que afetam o cérebro, a medula e o nervo óptico, podendo provocar cegueira, coma, insuficiência pulmonar e renal.

As autoridades não divulgaram oficialmente os nomes das vítimas, mas reportagens locais conseguiram identificar alguns dos pacientes. A operação desta quinta-feira busca impedir a distribuição de bebidas adulteradas e avançar nas investigações que tentam identificar os responsáveis pela produção e comercialização do álcool contaminado.