A produção interna de fertilizantes é uma necessidade crescente no Brasil, conforme afirmou a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina. Durante um evento em São Paulo, ela expressou sua preocupação com a falta de avanços no Plano Nacional de Fertilizantes, o que poderia ampliar a capacidade do país de produzir seus próprios insumos agrícolas.
Expectativas e Desafios do Agronegócio
As políticas necessárias para alcançar uma produção interna mais robusta ainda não foram implementadas. Tereza Cristina destacou que o Brasil deveria buscar, ao menos, 35% de independência na produção de fertilizantes. Atualmente, o país é extremamente dependente das importações, que compõem quase 90% do que é utilizado no setor agrícola.
Essa dependência torna o Brasil vulnerável a oscilações internacionais, como a guerra na Ucrânia, que afeta diretamente os preços dos alimentos. “Não é possível que um país que é o maior produtor de soja e proteína não considere produzir parte do que consome”, acrescentou a senadora.
Entraves para a Produção Nacional
Entre os obstáculos mencionados por Tereza Cristina estão questões ambientais e regulatórias que atrasam projetos importantes. A produção de potássio, por exemplo, tem enfrentado dificuldades devido a autorizações ambientais pendentes. Além disso, citou a unidade de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas, que permanece inativa apesar de já ter recebido a maior parte dos investimentos.
A senadora ressaltou que a avaliação de viabilidade para a produção de insumos como nitrogênio, que depende do gás natural, deve ser prioridade. Ela defende que o governo tome a iniciativa, dando o pontapé inicial para que a iniciativa privada também colabore no avanço dessas políticas.
Impactos das Crises Externas e Alternativas Energéticas
O cenário atual está repleto de desafios, não apenas na produção de alimentos, mas também no abastecimento energético. Com o aumento dos preços dos combustíveis, especialmente o diesel, Tereza Cristina enfatizou a importância de incentivar o uso de biocombustíveis como etanol e biodiesel. Esta estratégia poderia ajudar a reduzir a dependência das fontes tradicionais de energia.
Ela propôs um aumento imediato na mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis como uma possível medida emergencial. No entanto, a ausência de reuniões do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) para discutir essas questões também é motivo de preocupação.
