A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), uma operação de grande porte para desarticular um esquema criminoso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) responsável pelo transporte de drogas da região de fronteira com o Paraguai e a Bolívia para o estado de São Paulo e outras unidades da federação. A ação teve como foco principal a investigação de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de entorpecentes.
De acordo com as autoridades, a droga entrava no Brasil pela cidade de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, um dos principais corredores do tráfico na fronteira com o Paraguai. A partir dali, os entorpecentes eram distribuídos para São Paulo e outros estados, utilizando uma estrutura logística organizada e com divisão clara de funções entre os integrantes do grupo criminoso.
As investigações apontam que o esquema utilizava empresas de fachada para mascarar a origem ilícita dos recursos financeiros. Essas empresas simulavam atividades comerciais regulares para justificar movimentações bancárias milionárias, típicas do tráfico de drogas em larga escala. Pelo menos 11 pessoas foram identificadas como participantes diretas do transporte e da logística do entorpecente no país.
Nesta primeira fase da operação, foram expedidos quatro mandados de prisão, além de 19 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas na capital paulista, em municípios da Região Metropolitana, como Carapicuíba, e em cidades do interior, entre elas Bragança Paulista e Botucatu. Também houve ações simultâneas em Ponta Porã (MS), considerada base estratégica do esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu carros de luxo, armas de fogo — incluindo um fuzil —, aproximadamente R$ 35 mil em dinheiro vivo, além de bolsas, relógios de marcas famosas, computadores e telefones celulares. Todo o material recolhido será analisado para aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos na organização criminosa.
Apesar dos mandados de prisão expedidos, ninguém foi preso até o momento. Segundo os investigadores, os endereços alvos da operação funcionavam como verdadeiras bases operacionais da quadrilha, utilizadas tanto para a distribuição dos entorpecentes quanto para a ocultação de valores provenientes do crime organizado.
Batizada de “Operação Argyros”, a ação contou com a participação de cerca de 70 policiais da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (DISCCPAT), ligada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A Polícia Civil informou que as apurações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.