A polícia paulista trabalha com duas linhas principais de investigação para esclarecer a execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, morto a tiros na segunda-feira (15) em Praia Grande, litoral de São Paulo. As suspeitas são de que o crime tenha sido motivado por vingança contra sua atuação histórica no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou por represália de criminosos contrariados durante sua passagem pela Secretaria de Administração da Prefeitura de Praia Grande.
O governador Tarcísio de Freitas determinou mobilização total das forças policiais. “Estou estarrecido. É muita ousadia. Uma ação muito planejada, por tudo que me foi relatado”, afirmou. Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP-SP) criou uma força-tarefa integrada da Polícia Civil e Militar, contando com agentes experientes e informantes especializados no crime organizado.
Ruy Ferraz Fontes teve mais de 40 anos de atuação policial, incluindo cargos estratégicos no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), no Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Denarc e no Decap. Durante sua carreira, esteve à frente de prisões de líderes do PCC, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e participou de operações que resultaram em indiciamentos da cúpula da facção.
O crime foi gravado por câmeras de segurança: criminosos em um carro perseguiram o veículo do ex-delegado, que acabou colidindo com um ônibus. Em seguida, os atiradores desembarcaram e dispararam mais de 20 vezes contra Ruy. O ex-promotor Marcio Christino, que atuou com o delegado no combate à facção, disse estar em choque: “Fui o último a falar com ele por telefone”. Christino também destacou a relevância de Ruy no enfrentamento do PCC, tema que abordou no livro “Laços de sangue: A história secreta do PCC”.
Especialistas em segurança pública classificam a execução como um ato ousado do crime organizado e alertam para o poder das facções dentro do estado. Para o professor Rafael Alcadipani, da FGV, a ação evidencia “a força do crime organizado e a ousadia desses grupos frente à autoridade”. A investigação continua, e a polícia busca identificar os autores e a motivação definitiva do atentado.