A morte do cineasta baiano Ricardo Spencer, confirmada nesta segunda-feira (20), é investigada pela Polícia Civil de São Paulo como suspeita. O diretor de 49 anos foi encontrado sem vida em um apartamento alugado no Edifício Copan, no Centro da capital paulista.
Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), a vítima foi localizada no chão do apartamento, que alugava há cerca de uma semana, após o porteiro acionar a administração do imóvel.
De acordo com o boletim de ocorrência obtido pela CNN Brasil, a polícia constatou a morte às 11h20, sem sinais de violência no corpo ou no ambiente. Conforme descrito pelos oficiais, o porteiro não conseguia contato com o diretor desde a noite de domingo (19), quando Ricardo pediu a entrega de um delivery às 23h e não fez a retirada.
O profissional procurou o cineasta mais uma vez nesta segunda (20), mas sem sucesso. Então, ele procurou a proprietária da unidade em que estava hospedado, que conseguiu entrar com a senha da fechadura. Ao entrarem, o encontraram caído no chão, quando a polícia foi acionada.
A família de Ricardo foi contatada e seu irmão, Rafael, foi ao local e afirmou que o diretor sofria de problemas neurológicos, como a epilepsia. Porém, até o momento, a causa da morte não foi confirmada. A perícia foi acionada e o corpo foi removido ao IML (Instituto Médico Legal). O caso foi registrado como morte suspeita e encontro de cadáver no 2º Distrito Policial (Bom Retiro).
Quem é Ricardo Spencer
Ricardo Spencer vem de uma família envolvida no audiovisual. Ele é neto da atriz e diretora Nilda Spencer (1923-2008), um dos grandes nomes do teatro baiano, e se formou em Estética do Cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos.
O cineasta começou a carreira na direção de clipes musicais, trabalhando com nomes como Rita Lee, Criolo, Sandy e outros. Spencer migrou para a produção em entretenimento quando passou a integrar a equipe de diretores da TV Globo, onde trabalhou em “Amor e Sorte”, “Cine Holliúdy” e outros. Por “Todas as Mulheres do Mundo”, foi indicado ao Emmy Internacional. Seu último projeto foi “Vermelho Sangue”, para o Globoplay.
Legado e Impacto
Ricardo Spencer deixou um legado duradouro no mundo do audiovisual. Seus filmes e videoclipes tocaram gerações e contribuíram para a cultura pop brasileira. A diversidade temática e a originalidade das suas obras o tornaram uma referência no setor. A destreza de Spencer em unir a arte à narrativa o destacou não apenas como cineasta, mas também como um verdadeiro artista. Muitas de suas produções desafiavam normas e exploravam questões sociais, o que atraiu reconhecimento e apreciação tanto nacional quanto internacional.
Além de seu impacto no cinema, Ricardo também foi respeitado por sua habilidade em trabalhar com músicos e artistas de diferentes gêneros. Ele trouxe uma nova estética e visão para videoclipes, transformando o que muitos poderiam considerar como um formato simples em uma forma de arte vibrante e envolvente. Sua habilidade em capturar a essência de performances musicais fez dele um dos diretores mais buscados da indústria.
Despedidas e Homenagens
O Circo Voador, espaço de shows no Rio de Janeiro, publicou uma despedida ao cineasta, lembrando que ele é “parte da família”. Na casa de shows, Ricardo dirigiu videoclipes que marcaram a retomada após o longo fechamento na pandemia, em projeto de Mart’nalia, BK e Otto Ferreira.
“Neste 20 de julho de 2026, o setor audiovisual se despede de um grande profissional. E o Circo Voador dá adeus a um grande amigo”, escreveu o espaço.
Quem também se despediu do amigo de longa data foi Pitty, com quem trabalhou em seus videoclipes “130 anos”, “Memórias”, “Deja Vu” e “Leão”.
“Desde as idas aos cinemas mais undergrounds. As noites, a boemia. Nossos videoclipes e documentários. Por toda uma vida de irmandade e afeto real. Te amo para sempre, meu amigo. ‘Ricardo Spencer, perfeito’”, declarou a cantora.
*Com informações de Larissa Santos
**Sob supervisão de Rafael Saldanha
