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Preço dos alimentos deve ser impactado: entenda as mudanças

Preço dos alimentos deve ser impactado: entenda as mudanças

Estados Unidos impõem tarifas sobre produtos brasileiros. Na quarta-feira (15), o governo dos EUA oficializou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil. Essa decisão, sob a administração de Donald Trump, abrange setores variados que vão do agronegócio à indústria, e espera-se que a sobretaxa tenha um impacto direto no preço dos alimentos no Brasil.

Os analistas de Economia da CNN, Victor Irajá e Fernanda Pressinott, informaram no CNN Novo Dia que a lista de produtos afetados é extensa, incluindo etanol, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, calçados, papel, aço e açúcar orgânico. O etanol foi mencionado especificamente pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) como parte de práticas consideradas “irrazoáveis e discriminatórias” pelo Brasil, além de mencionar o uso do PIX e as questões de desmatamento. Em 2025, os Estados Unidos representavam cerca de 15,7% do total exportado de etanol pelo Brasil, o que equivale a aproximadamente 253 milhões de litros.

Produtos estratégicos excluídos das tarifas

Alguns itens passaram ilesos pela nova rodada de tarifas. Entre os produtos isentos, destacam-se a carne bovina, café, e suco de laranja, além de petróleo bruto, gás natural, pescados específicos, mel orgânico, minerais estratégicos e aeronaves civis.

A lógica por trás das isenções está relacionada à dependência americana desses produtos. Victor Irajá afirma que os produtos que foram isentos são aqueles dos quais os EUA precisam. No caso da carne bovina, por exemplo, o preço disparou em solo americano: a carne moída viu um aumento de mais de 15% em seis meses, totalizando um crescimento de 23% em dois anos. O café moído, por sua vez, acumulou praticamente 100% de inflação nos EUA entre janeiro de 2024 e junho de 2025.

Fernanda Pressinott observa que o agronegócio foi menos afetado do que outros setores, já que o Brasil tem um domínio significativo na oferta global de produtos como suco de laranja e café. “O suco de laranja não tem de onde ser comprado. Carne, os Estados Unidos não têm de onde comprar”, explicou.

Em relação ao café solúvel instantâneo, empresas norte-americanas participaram das discussões e solicitaram a isenção, destacando que a taxação prejudicaria seus negócios.

Setores mais afetados e echos da indústria

Entre os setores do agronegócio que continuam a ser taxados, o tabaco se destaca, com 80% de suas exportações voltadas ao mercado norte-americano. Outra categoria afetada são as máquinas agrícolas, que impactam empresas multinacionais que fabricam parte de seus produtos no Brasil para atender o consumidor americano do agronegócio.

O setor de calçados também sofreu severas consequências: os EUA consomem mais de 2 bilhões de pares anualmente, produzindo apenas cerca de 20 milhões, ou 1% de sua demanda total. Embora a isenção parecesse “tecnicamente óbvia”, a Casa Branca manteve a tarifa, indicativa de que essa decisão tinha um componente político, segundo Irajá.

Reações de federações industriais sugerem descontentamento em relação à decisão. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) atribuiu a responsabilidade aos “ruídos diplomáticos causados por um desalinhamento político com Washington”, afirmando que a retaliação comercial poderia ter sido evitada por uma abordagem mais técnica e pragmática. A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) corroborou que essa medida poderia levar à substituição de fornecedores brasileiros e à pressão por renegociações de contratos, preços e margens. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) destacou que as vendas para o mercado americano caíram 13% no primeiro semestre deste ano, com uma queda de 8,7% apenas entre os bens industriais.

Possíveis retornos e reações do mercado

Diante da possibilidade de o Brasil responder com medidas retaliatórias, Victor Irajá alertou para os riscos dessa estratégia. O Brasil não possui o mesmo arsenal que a China para lidar com tarifas elevadas, já que sua economia é composta por uma iniciativa privada robusta que depende significativamente dos insumos industriais dos EUA. “Há um risco considerável caso o governo brasileiro adote medidas retaliatórias contra os Estados Unidos”, adverte. As novas tarifas entrarão em vigor no dia 22 de julho.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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