A prefeitura de São Paulo criou um grupo para avaliar a intervenção na A2 Transportes, empresa de ônibus sob investigação por possíveis laços com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na manhã desta quinta-feira, 17, a equipe foi designada para reunir informações sobre a operação que está sendo conduzida pela Polícia Civil e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), que visa expor a infiltração do crime organizado no sistema de transporte.
Comandado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), o grupo contará com representantes da Procuradoria-Geral, Controladoria-Geral, SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. A intenção é realizar um levantamento minucioso de contratos e documentos relacionados à A2, a fim de determinar as possíveis medidas administrativas e judiciais a serem adotadas.
Em um comunicado oficial, a prefeitura declarou que não tolera irregularidades e que está comprometida em colaborar com as autoridades no desenrolar dessa investigação.
Operação e a infiltração do PCC
A Operação Vectura Corrupta, realizada nesta quinta-feira, resultou em 16 mandados de prisão e 18 buscas e apreensões. Até o momento, nove suspeitos foram detidos, incluindo nomes relevantes como Júlio Salvador Filho e Claudionor Tomaz. O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, também está entre os detidos. Este cenário levanta a suspeita de que 12 das 22 empresas que operam no transporte coletivo de São Paulo estão, supostamente, sob controle do PCC.
A investigação sugere que essas empresas estão ligadas a uma rede de corrupção que ultrapassa o tráfico de drogas, envolvendo contratos públicos, articulações políticas e operações financeiras obscuras. Os empreendimentos já foram alvo de investigações anteriores, demonstrando um histórico de desvio de conduta e crime organizado infiltrado no setor.
A2 Transportes e seus vínculos
Júlio Salvador Filho, apontado como dirigente da A2, estaria envolvido na aprovação de pagamentos a pessoas interpostas. Seu colega, Paulo Korek, atua como empresário e gerente das operações da A2 e Translider. A ação legal também busca depurar se a A2 Transportes estava recebendo pagamentos relacionados a uma venda de ônibus no valor de R$ 1,2 milhão, considerando que esses valores podem estar vinculados a comissões ilícitas.
A investigação revela que a A2 pode ter sido um veículo para movimentar recursos destinados a sustentar atividades ilícitas, com pagamentos sendo realizados através de redes complexas de conexão com o PCC. Na análise de diversos documentos e áudios interceptados, surgem referências à movimentação financeira envolvendo a A2, colocando a empresa sob suspeição.
Defesa da A2 Transportes
A A2 Transportes, através de seu presidente Paulo Siqueira Korek, negou qualquer envolvimento com o PCC, afirmando estar comprometida com a legalidade e a transparência. A empresa enfatiza que todos os recursos recebidos provêm exclusivamente de contratos com a prefeitura, e não de atividades ilícitas.
Além disso, foi declarado que a A2 está disposta a colaborar com as investigações, apresentando documentação e esclarecimentos para confirmar sua posição. Paulo Korek sugere que a atenção seletiva sobre a A2 pode ter um componente político e reafirma a seriedade e a ética na condução das operações da empresa, reiterando que não houve interação com o PCC ou ações de lavagem de dinheiro.
A resposta da A2 Transportes visa reafirmar a intenção de colaborar com as autoridades e esclarecer a sua trajetória em meio à investigação que chegou a abalar a reputação do sistema de transporte na cidade de São Paulo.
