Polícia

“Princesinha do crime” foge de CPP Butantã com ajuda de casal armado em presídio sem câmeras

Rafaela Sampaio Camorim, de 27 anos, conhecida como “Princesinha do crime”, protagonizou uma fuga cinematográfica do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, na última quinta-feira (18). A detenta, que cumpria pena por roubo e liderava uma quadrilha especializada em furtos de carros de luxo na capital paulista e no ABC, contou com o auxílio de um homem e uma mulher armados, que renderam duas policiais penais e conseguiram retirá-la da unidade prisional.

Segundo informações da Polícia Civil, o CPP estava com as câmeras de monitoramento desligadas, em fase de instalação, o que impossibilitou a gravação do momento da fuga. Uma das policiais rendidas relatou que aguardava a chegada de uma carga de carne para as presas, quando uma caminhonete com duas pessoas se aproximou e uma delas apontou uma pistola, obrigando-a a se render. Enquanto o homem permanecia do lado de fora, a mulher entrou na unidade, rendeu outra policial penal, localizou Rafaela e colocou a agente detida dentro da cela antes de escaparem juntos em direção à Rodovia Raposo Tavares.

O CPP Butantã, inaugurado em 1990, abriga presas no regime semiaberto e possui capacidade para 1.412 mulheres, atualmente com 1.073 detentas. A unidade já enfrentou problemas semelhantes: em 2009, nove presas escaparam da antiga Penitenciária Feminina do Butantã, e em 2024, sete presos fugiram da ala masculina do CPP. Por conta dessas ocorrências, agentes prisionais chamam o local de “cadeia de papel”, ressaltando a necessidade urgente de concursos e aumento de efetivo.

Rafaela, que nas redes sociais se apresentava como recepcionista e graduada em pedagogia, na verdade liderava um grupo criminoso especializado em furtos de automóveis, indicando alvos e facilitando a desativação de sistemas de rastreamento. A Secretaria da Administração Penitenciária instaurou procedimento para apurar a fuga e informou que colabora com as autoridades. A Polícia Militar realiza buscas para recapturar a detenta, enquanto a Polícia Civil investiga o casal que ajudou na operação.