Política

R$ 10 bilhões em FGTS não são depositados por empresas; milhões de trabalhadores sofrem prejuízo

Milhões de brasileiros com carteira assinada estão descobrindo que os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não estão sendo realizados corretamente. O rombo chega a R$ 10 bilhões em todo o país, afetando cerca de 9,5 milhões de trabalhadores. Os estados mais impactados são São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Ronaldo de Souza Dias, lanterneiro, percebeu a irregularidade após atrasos no salário. Ele descobriu que, em mais de três anos de trabalho, recebeu apenas três depósitos do FGTS. “Quando começaram a atrasar o salário, fui conferir as demais obrigações da empresa e nada estava sendo cumprido”, contou.

O FGTS corresponde a 8% do salário bruto pago ao trabalhador e funciona como uma forma de proteção em casos de demissão sem justa causa, doenças graves, aposentadoria ou compra da casa própria. Segundo o advogado trabalhista Gabriel Brum de Moraes, a falta de depósitos é considerada uma violação grave, que pode gerar rescisão indireta do contrato de trabalho, permitindo ao empregado rescindir a relação sem perder direitos.

Atualmente, 1,6 milhão de empresas no Brasil estão inadimplentes ou com parcelas atrasadas, prejudicando diretamente o planejamento financeiro de milhões de trabalhadores. João Vitor Silva Amorim, técnico em automação industrial, relatou que descobriu a dívida de sua empresa ao consultar o aplicativo do FGTS após sua demissão, atrapalhando seus planos de adquirir a casa própria.

O Ministério do Trabalho, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, realiza cobrança amigável junto às empresas inadimplentes. Caso não haja regularização, os empregadores podem ser fiscalizados, autuados e multados pelo atraso dos depósitos. A situação alerta para a importância da fiscalização e reforça a necessidade de os trabalhadores acompanharem regularmente o saldo do FGTS.