Antônio Ilário Ferreira, também conhecido como “Rabicó” ou “Coroa”, é o foco da nova fase da Operação Contenção, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que ocorreu na manhã desta sexta-feira (29). Aos 61 anos, ele é considerado pelas autoridades como o principal operador financeiro do Comando Vermelho (CV).
O histórico criminal de Rabicó é extenso. De acordo com o Disque Denúncia, Antônio é um dos traficantes de drogas mais procurados do estado, sendo apontado como líder da organização no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Ele comanda o tráfico na região há mais de 30 anos, e sua notoriedade no crime é inegável. Em 2008, foi preso em Pernambuco, onde tentava viver uma vida normal disfarçado como empresário do setor de reciclagem. Cumpriu pena em um presídio de segurança máxima em Campo Grande (MS) e, desde 2019, quando foi solto por decisão liminar do STF (Supremo Tribunal Federal), está foragido.
PM faz operação no Salgueiro e mira traficante Rabicó, foragido desde 2019
Investigação em andamento e conexões suspeitas
Rabicó foi o alvo principal de uma operação em março deste ano, realizada pela Polícia Federal e Militar no Complexo do Salgueiro. Há relatos de moradores que afirmam que Rabicó foi baleado durante o cerco, mas ele não foi capturado. Além de suas atividades no tráfico, as autoridades especulam sobre possíveis ligações de Rabicó com o cantor Oruam.
As investigações também levantam a suspeita de que integrantes do grupo associado a Rabicó tenham viajado à Ucrânia para aprender técnicas de combate utilizadas em conflitos internacionais.
A função de “Coroa” no Comando Vermelho
Conforme apurações, “Coroa” se encarrega da lavagem de dinheiro, gerenciando empresas de fachada e realizava movimentações bancárias para ocultar patrimônio e valores ilícitos. É considerado o principal operador financeiro do CV.
Segurança do traficante “Rabicó”, do CV, é preso após acidente no RJ
As provas obtidas até agora indicam que o esquema de lavagem de dinheiro envolve empresas de reciclagem e ferros-velhos, com movimentações financeiras disfarçadas por meio de contas bancárias, depósitos fracionados em espécie, e a emissão de notas fiscais falsas. O intuito é dar uma aparência de legalidade aos fundos advindos do tráfico.
O comércio de sucatas e práticas fraudulentas
A investigação detectou que empresas de reciclagem ligadas a Rabicó transferem milhões de reais para contas que ele controla. Entenda a operação contra o PCC e o ecossistema criminoso nos combustíveis
Existem também indícios de receptação qualificada, com a aquisição de materiais de origem suspeita e a dispersão de recursos em diversas contas bancárias, dificultando assim o rastreamento dos valores. As investigações também revelaram áreas usadas para a queima clandestina de cabos de cobre, o que reforça a conexão de Rabicó com a lavagem de dinheiro da facção.
Recentemente, sua esposa, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa durante a operação da Polícia Civil contra o braço financeiro da facção. Até o momento, 20 pessoas foram detidas. A operação está cumprindo mandados em várias cidades do Rio de Janeiro, incluindo a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, e também se estende a estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

