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Rei do Pix: Investigações revelam desvios entre vereadores SP

Uma operação para desarticular um esquema de desvios financeiros na Câmara Municipal de Catanduva, interior de São Paulo, foi realizada na manhã desta terça-feira (2). O trabalho é conduzido pela Polícia Militar (PM) e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A Operação Rei do Pix investiga a movimentação de ao menos R$ 10 milhões entre 2023 e 2024, desviados do orçamento do Poder Legislativo municipal. No entanto, indícios sugerem que esse montante pode ser ainda maior, o que levanta preocupações sobre a integridade das finanças públicas na região.

O esquema criminológico funcionava por meio da criação de mais de 60 empresas de fachada, vinculadas a parentes e amigos dos investigados. Essas companhias emitiam notas fiscais falsas e simulavam a prestação de serviços para a Câmara Municipal, possibilitando o desvio dos recursos.

Até o momento, foram cumpridos dez mandados de prisão e mais de 50 mandados de busca e apreensão nas cidades de Adamantina, Bauru, Jaboticabal, Catanduva e na capital paulista. O MPSP revelou que os valores recebidos eram devolvidos aos implicados, com uma retenção de cerca de 90% a 95% dos totais.

Além disso, os investigadores detectaram fraudes em licitações e contratos superfaturados, que garantiam uma margem de repasse de até 30% dos valores pagos pelo Poder Legislativo à organização criminosa. O domínio das manobras financeiras permitiu ao grupo ocultar a origem ilícita do dinheiro, estabelecendo um padrão de lavagem de capitais.

Operação semelhante também foi realizada recentemente em outras instituições, refletindo um problema maior de corrupção e desvio de recursos em diversas esferas governamentais.

O nome da operação, “Rei do Pix”, é uma referência ao apelido de um dos investigados, conhecido pela intensa movimentação financeira com o dinheiro público. A Justiça de São Paulo, através da 1ª Vara Criminal de Catanduva, já determinou o bloqueio de bens dos envolvidos, que pode chegar a R$ 20 milhões, visando assegurar a reparação aos cofres públicos. Durante a operação, veículos automotores e quantias em espécie também foram apreendidos.

A megaoperação contou com um esforço significativo, reunindo 170 policiais militares, 43 viaturas no interior, três equipes da Polícia Civil na capital, além de 20 promotores de Justiça, 30 servidores do MP e 11 agentes da Receita Federal. O empenho conjunto destaca a seriedade da investigação e a necessidade urgente de coibir práticas corruptas.

Até o fechamento desta matéria, a CNN Brasil havia procurado a Câmara Municipal de Catanduva, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para comentários e esclarecimentos sobre a operação e as medidas que estão sendo tomadas para normalizar a situação da Câmara.

A população aguarda ansiosamente por desdobramentos e por ações que garantam a transparência e a lisura nas atividades do Legislativo. É de extrema importância que os responsáveis pela corrupção sejam punidos, e que os recursos públicos sejam restituídos aos cidadãos.

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