Ícone do site A Voz de São Paulo

Renan Santos: Conheça o candidato à Presidência pelo Missão

Renan Santos: Conheça o candidato à Presidência pelo Missão

O partido Missão oficializa neste sábado (1º), em São Paulo, o plano de governo da candidatura de Renan Santos à Presidência da República. Essa candidatura surge em um momento de intensas transformações políticas no Brasil e suscita debates sobre seu impacto no cenário atual.

Nascido em 14 de fevereiro de 1984, em São Paulo, e criado no bairro da Mooca, Renan se define, em seu site, como escritor, presidente do Missão e guitarrista. Essas características pessoais e profissionais moldaram sua visão e estratégia política.

Iniciou sua trajetória política durante a passagem pelo curso de Direito na USP (Universidade de São Paulo). No entanto, não concluiu a graduação e deixou a faculdade para trabalhar com o pai em um grupo empresarial, experiência que pode ter influenciado sua abordagem prática aos desafios governamentais.

Durante o governo de Dilma Rousseff, o presidenciável ganhou notoriedade na organização e convocação de atos durante as manifestações de junho de 2013. Essa participação ativa estabeleceu seu nome na política como um representante do engajamento popular.

No fim de 2014, renan fundou formalmente o MBL (Movimento Brasil Livre), que atuou em campanhas e protestos contra o governo petista, em apoio à Operação Lava Jato e ao combate à corrupção, além de defender o impeachment de Dilma Rousseff. Com isso, começou a se posicionar como uma voz forte contra a corrupção no Brasil.

Após a consolidação do grupo no debate político, Renan esteve diretamente envolvido nos bastidores das campanhas de aliados do MBL a cargos nos poderes Legislativo e Executivo por outros partidos, como Democratas, Patriota, Podemos e União Brasil, antes da criação do partido Missão. Essa experiência acumulada em diversas frentes ampliou sua visão sobre a política nacional.

Durante a primeira campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República, Renan e o MBL chegaram a apoiar a candidatura do ex-presidente. No entanto, distanciaram-se rapidamente e romperam formalmente com Bolsonaro devido a divergências relacionadas a pautas econômicas e de combate à corrupção, demonstrando a flexibilidade de sua agenda política.

Em outubro de 2023, Renan e aliados do MBL mobilizaram-se para a criação do partido Missão. Em novembro de 2025, a legenda foi homologada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e tornou-se a 30ª sigla apta a disputar eleições. Esse avanço representa um marco significativo para Renan e seu grupo político.

Propostas e posicionamento político

O presidente do partido Missão define a si mesmo e o grupo como de “direita não bolsonarista”. Essa afirmação visa diferenciar sua proposta das demais correntes políticas, especialmente das que seguem a linha de Bolsonaro.

A luta contra o crime é um dos pilares centrais de sua visão política para o país. Ele defende uma postura de “tolerância zero”, reacendendo o debate sobre segurança pública. Em sua retórica, populariza a expressão “prendeu, matou”: ao reagir bem à abordagem, “prendeu”; caso contrário, “matou”.

Renan fundamenta suas propostas em dois eixos principais: o confronto direto com integrantes de facções, com um Estado “forte e decisivo”, e a proposta de “bandeira, quartel e escola”. Este último busca um planejamento cívico de longo prazo, enfatizando a soberania e o orgulho nacional, aliados à ordem, disciplina e a uma formação educacional sólida.

Em entrevista à CNN Brasil, Renan também destacou sua principal pauta social: a “desfavelização do Brasil”. Ele argumenta que as favelas congregam problemas transversais que afetam todas as áreas da sociedade, o que torna sua reforma fundamental.

“Todas as áreas estão muito mal, mas tem uma área que não soa como política social, que é a habitação. As favelas congregam de maneira transversal todos os grandes problemas do Brasil”, declarou Renan.

O plano de governo de Renan inclui a reforma dos espaços urbanos das comunidades, a concessão de títulos de propriedade e a atração de empregos, evitando longos deslocamentos. Esta abordagem visa transformar as favelas em pontos de desenvolvimento e cidadania, em vez de serem vistas apenas como vetores de problemas.

Renan também se posiciona em defesa de um Estado mais atuante nas comunidades: “Muita gente diz que eu defendo Estado mínimo. Mas, na minha ideia, isso tem muito Estado. Ali, o Estado está completamente ausente e a vida das pessoas está muito ruim.” Ele busca garantir direitos fundamentais para os cidadãos nas áreas mais vulneráveis do país.

Na mesma entrevista, Renan estabeleceu uma meta ambiciosa para seu eventual governo: reduzir o número anual de homicídios no país para 10 mil. Ele considera que alcançar 5 mil homicídios anuais seria um objetivo possível e necessário, representando uma conquista significativa.

De acordo com o Atlas da Violência, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025. Esse dado equivale a quase 20 mortes por 100 mil habitantes, colocando o desafio de segurança em evidência.

Sobre possíveis falhas em sua gestão, Renan afirmou: “Se eu não atingir a meta, prefiro ser julgado pelos meus pares como alguém que falhou.” Sua disposição para reconhecer erros e se afastar da política, se necessário, mostra um posicionamento de responsabilidade e autocrítica.

A relação com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, é outro tema abordado por Renan. Ele expressa admiração pelas políticas de segurança pública, mas ressalta: “Bukele não é uma referência a ser seguida. Não acho que é uma ditadura, mas é uma questão de saber se ele vai resistir a essa tentação.” Essa análise reflete uma preocupação sobre lideranças que flertam com a centralização de poder.

Vida profissional e artística

Atualmente, além de presidir o Missão, Renan Santos é autor e editor-chefe da Revista Valete, uma publicação criada pelo MBL que discute política e cultura. Essa atividade reforça sua ligação com a intelectualidade e cultura política do Brasil.

Renan é também guitarrista e vocalista da banda Limão Rosa, ao lado do copartidário Arthur do Val e de Gustavo Moledo. A música desempenha um papel importante em sua vida e, de certa forma, complementa sua expressão política.

Sair da versão mobile