São Paulo

Réveillon da Paulista terá cachês milionários e custo supera R$ 6 milhões aos cofres da Prefeitura de São Paulo

A festa de Réveillon na Avenida Paulista, principal cartão-postal de São Paulo, terá um custo elevado em 2025. Somente os cachês pagos aos artistas que irão se apresentar na virada do ano somam R$ 6,1 milhões, conforme dados divulgados no Diário Oficial do Município pela Secretaria Municipal de Cultura. O valor representa um aumento de 77% em relação ao montante desembolsado no ano anterior.

Ao todo, nove artistas estão confirmados para a programação, que contará com cerca de 14 horas ininterruptas de shows, além de apresentações de DJs nos intervalos. Em 2024, o evento teve 12 horas de duração e contou com sete atrações musicais, o que, segundo a prefeitura, justifica parte do aumento nos gastos com cachês.

Entre os artistas mais bem pagos estão duas das principais estrelas do sertanejo nacional. Simone Mendes e Ana Castela receberão, cada uma, R$ 1,35 milhão para se apresentar na virada da Paulista. Os valores chamam atenção por estarem acima da média de mercado praticada fora de datas comemorativas de grande demanda.

O cantor João Gomes, um dos nomes mais populares do piseiro, terá cachê de R$ 1 milhão, enquanto a dupla Maiara & Maraisa receberá R$ 900 mil. O cantor Belo embolsará R$ 800 mil e Latino ficará com R$ 400 mil. Já os DJs contratados para animar os intervalos entre os shows terão valores menores: KVSH receberá R$ 200 mil, e DJ Rooneyoyo O Guardião, R$ 50 mil.

Os mestres de cerimônia Manoel Soares e Dani Oliver também fazem parte da programação e, juntos, receberão R$ 63 mil, sendo R$ 31,5 mil para cada um. Segundo a prefeitura, eles serão responsáveis por conduzir o público ao longo do evento e organizar a dinâmica das apresentações no palco principal.

Apesar do volume expressivo de recursos destinados aos cachês, a administração municipal afirma que o investimento total no Réveillon permanece em R$ 13 milhões, valor que inclui estrutura, segurança, palco, som, iluminação e demais serviços. A prefeitura argumenta que a ampliação da programação foi feita sem aumento do orçamento global do evento.

Um ponto destacado pela Secretaria de Cultura é a participação de atrações religiosas de forma voluntária. Frei Gilson, Padre Marcelo Rossi e o grupo Colo de Deus subirăo ao palco sem receber cachê, o que, segundo a pasta, contribuiu para o equilíbrio financeiro da festa e para a diversidade da programação.

Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura explicou que utiliza o Portal Nacional de Contratações Públicas como referência para a pesquisa de preços e que, em períodos como Carnaval e Réveillon, os cachês artísticos podem sofrer reajustes de até 100% devido à alta procura. A curadoria do evento, segundo o órgão, levou em conta estudos de consumo cultural, que indicam o sertanejo e o forró como os gêneros mais populares entre os paulistanos, seguidos por gospel, pagode e samba.

O alto custo dos cachês reacende o debate sobre gastos públicos em grandes eventos, ao mesmo tempo em que a prefeitura defende o impacto econômico, turístico e cultural da festa, que tradicionalmente reúne milhões de pessoas na Avenida Paulista para celebrar a chegada do novo ano.