O regime iraniano enfrenta um cenário desafiador, especialmente em um possível confronto com os Estados Unidos e Israel. Apesar da aliança histórica com a Rússia, a expectativa é que o apoio militar direto não seja uma realidade. Na perspectiva de Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da FESPSP, a Rússia não deve se comprometer com um envolvimento direto nessa crise.
Avaliação da Situação Atual
Em uma entrevista à CNN Brasil, Marson ressalta que, embora haja um recente acordo de treinamento e fornecimento de armamentos entre Rússia e Irã, isso não indica que o Kremlin esteja disposto a se envolver militarmente. “Eu não acredito que a Rússia vá se envolver diretamente. O Irã vai se ver bastante isolado nesse confronto”, afirma. Essa postura russa é influenciada pelo delicado equilíbrio geopolítico em que o país se encontra, especialmente devido à guerra em curso na Ucrânia.
Perspectiva Chinesa
Outro aliado estratégico, a China, também deve evitar intervenções militares na região do Oriente Médio. Ana Carolina destaca que Beijing está focada em soluções diplomáticas e tem outras prioridades, especialmente em relação à questão de Taiwan. O contexto geopolítico, que inclui disputas maritimas no Mar do Sul da China, faz com que a China mantenha uma postura cautelosa e reservada, evitando compromisso militar com o Irã.
Limites da Retórica
Para a especialista, tanto Rússia quanto China estão limitadas ao campo da retórica, sem avançar para iniciativas militares concretas. Isso implica que a solidariedade expressada através de declarações oficiais não se traduzirá em apoio prático ao Irã em um eventual confronto. “Nós vemos que fica exatamente nisso, no campo da retórica, não parte para algo mais prático”, conclui.