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São Paulo registra recorde de feminicídios em janeiro de 2023

São Paulo registra recorde de feminicídios em janeiro de 2023

Janeiro de 2026 bateu um recorde negativo de registros de casos de feminicídios no estado de São Paulo, desde o início da contagem da série histórica. Ao todo, foram 27 apenas no início deste ano.

Evolução dos registros de feminicídios

O crime, que passou a ser contabilizado em 2018 pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), já havia atingido seu recorde no ano passado.

Foram 270 registros durante 2025, e 37 apenas no mês de dezembro, o maior número desde o início da contagem.

Dados da SSP mostram que o número de casos de feminicídio cresceu quase 50%, entre 2018 e 2025. Veja:

Homem invadiu shopping para matar ex

A vendedora Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado, Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25, na noite de 25 de fevereiro. O crime ocorreu durante o expediente da vítima na joalheria Vivara, localizada dentro do Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista.

O homem invadiu o estabelecimento armado com uma faca e uma arma de airsoft, rendeu a ex-companheira e a feriu gravemente com um golpe no pescoço.

Imagem mostra arma no local do crime; ainda não se sabe se o revolver foi usado • Reprodução

Um policial civil à paisana que estava no local interveio e tentou negociar a rendição do suspeito. No entanto, após Cássio apontar a arma na direção dos agentes de segurança, ele foi baleado.

Cibelle e o agressor foram socorridos pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em estado grave e a morte da jovem foi confirmada logo em seguida.

Veja registro da negociação

Créditos: Viva ABC

A vítima possuía uma medida protetiva de urgência contra Cássio e já havia registrado três boletins de ocorrência relatando agressões anteriores e perseguição.

Segundo pessoas próximas, Cássio vazou fotos íntimas de Cibelle e as enviou para lojas do shopping onde ela trabalhava e para a franqueadora da marca, com o intuito de causar a sua demissão.

Além disso, o suspeito realizava transferências bancárias via Pix no valor de R$ 0,01 apenas para enviar mensagens com ameaças no comprovante, escrevendo frases como “Já que você paga para ver, então amanhã tem mais”.

Ex a ameaçava através de transferência bancária • Reprodução/Imagens cedidas pela TV SBC

Ele também a esperava constantemente na porta de seu prédio e contornava os bloqueios no WhatsApp utilizando novos números. Em mensagens a amigas, Cibelle chegou a descrever a perseguição como uma “cena de filme de terror”.

Após o ataque, ainda no local do crime, Cássio enviou um áudio e fez uma videochamada para um grupo de amigos confessando o ato. Na gravação, ele afirma que “tentou se segurar”, mas admite: “Eu matei a Cibelle”. Ouça:

O agressor ficou internado sob custódia no Hospital Estadual Mário Covas e recebeu alta médica nesta terça-feira (3), sendo imediatamente transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de São Bernardo do Campo.

O caso segue sob investigação da Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) de São Bernardo do Campo, que trata o episódio como feminicídio.

Mulher morta em motel

A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 26 anos ocorrida na manhã de 1º de março em um motel na Avenida Sapopemba, na zona leste da capital paulista. O caso foi registrado como feminicídio e violência doméstica pela 8ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), de São Mateus.

Funcionárias do estabelecimento acionaram a PM (Polícia Militar) após suspeitarem da atitude do homem que acompanhava a vítima, ao tentar deixar o local sozinho. Ele foi detido na recepção e, segundo o boletim de ocorrência, confessou o crime.

A mulher foi encontrada no quarto com marcas no pescoço, socorrida pelo Samu e levada ao hospital, mas não resistiu. O suspeito, que manteve relacionamento com a vítima por cerca de 12 anos, alegou ter perdido o controle após uma discussão.

Ele já era investigado por violência doméstica, e a vítima havia solicitado medida protetiva anteriormente.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e exames periciais foram solicitados. O caso segue em investigação.

Mulher escalou portão antes de morrer

Imagens obtidas pela CNN Brasil registraram o momento em que Priscila Ribeiro Verson foi perseguida e agredida pelo ex-companheiro, no último dia 23 de fevereiro, no bairro Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo.

No vídeo, a vítima aparece correndo pela calçada e tentando escalar um portão para escapar.

O suspeito, de 36 anos, identificado como Deivit, se aproxima em um carro branco, estaciona ao lado dela e inicia a discussão. Priscila grita por socorro e pede para que ele pare. Em seguida, perde o equilíbrio e cai.

O homem passa a agredi-la com chutes e pontapés até que ela fique desacordada. Depois, a coloca no banco do passageiro do veículo e deixa o local. Veja as imagens:

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Priscila foi levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, mas já deu entrada sem vida, com escoriações e hematomas pelo corpo. O suspeito foi detido na própria unidade hospitalar.

No carro, policiais encontraram um galão de gasolina e vestígios de sangue. O caso foi registrado como feminicídio no 73º Distrito Policial, do Jaçanã, e o homem permaneceu preso à disposição da Justiça.

A vítima era amiga de Tainara Souza Santos, morta em dezembro do ano passado após ser atropelada e arrastada na Marginal Tietê.

*Sob supervisão de Tonny Aranha