O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil anunciou um ultimato até 31 de julho para que o Governo de São Paulo responda às reivindicações da categoria. Caso não haja uma posição clara, a greve será instaurada a partir da meia-noite do dia 4 de agosto.
A decisão foi acordada em assembleia no dia 24 de julho, em meio à crise causada por falhas nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade logo após a concessão à empresa Trivia Trens.
Os principais pedidos incluem a reestatização das linhas sob responsabilidade privada, preservação dos empregos dos trabalhadores da CPTM e apoio do Governo paulista para um projeto na Alesp. Esse projeto visa garantir a absorção dos funcionários da CPTM que serão impactados por concessões ou privatizações.
Conforme o sindicato, os problemas enfrentados não são responsabilidade direta dos trabalhadores da nova concessionária, mas sim do gerenciamento da transição na operação.
Além disso, a categoria criticou o fato do governo ter convocado, por um período de 90 dias, empregados da CPTM para retomar algumas operações após os incidentes verificados.
Em resposta, o Governo de São Paulo, consultado pela CNN Brasil, declarou que não possui um posicionamento definitivo sobre a ameaça de greve, uma vez que o sindicato ainda não o notificou formalmente.
Falhas Após Início da Concessão
As linhas de trem 11, 12 e 13 têm enfrentado diversos problemas. Um curto-circuito no pantógrafo de um trem gerou um incêndio em um vagão na estação Brás, levando os passageiros a evacuarem e caminharem pelos trilhos.
Esse incêndio ocasionou a interrupção de serviços nas Linhas 12-Safira, 13-Jade, e no Serviço Expresso Aeroporto, e afetou parcialmente a Linha 11-Coral. O acontecimento também motivou a Prefeitura de São Paulo a suspender o rodízio municipal na região central.
CPTM Assume Operação Temporária
Após os recentes problemas, a Artesp decidiu que a CPTM reassumirá a operação das linhas por um período de 90 dias. Essa medida visa garantir a continuidade do serviço, enquanto são investigadas as causas das falhas e o cumprimento das obrigações contratuais impostas à concessionária.
O Centro de Controle Operacional (CCO) retornou à administração da estatal e será monitorado pela Artesp e pela Trivia Trens.
Além disso, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) deu um prazo de cinco dias para que o Governo e a Trivia Trens apresentem explicações sobre suas estratégias de contingência e a manutenção dos equipamentos.
Repercussão das Falhas
O governador Tarcísio de Freitas classificou os incidentes como “inaceitáveis” e alertou que a concessionária poderá ter seu contrato rescindido se não atender às suas obrigações. A Trivia Trens, por sua vez, pediu desculpas aos usuários pelos inconvenientes e prometeu fornecer todos os esclarecimentos requeridos pelas autoridades responsáveis.
A Artesp já instaurou uma comissão investigativa para apurar as falhas ocorridas e avaliar possíveis sanções contra a concessionária. Em nota, a CPTM manifestou cooperação total durante o processo de transição e negou a possibilidade de sabotagem por parte de seus colaboradores.

