A Prefeitura de São Paulo vai realizar um novo censo arbóreo nas calçadas e canteiros da cidade, utilizando tecnologia de scanner a laser e inteligência artificial para mapear aproximadamente 650 mil árvores e avaliar suas condições de conservação.
O último levantamento, realizado há dez anos, foi feito apenas com fotos aéreas, sem detalhamento sobre o estado de saúde das árvores. Desta vez, veículos equipados com scanners a laser percorrerão as ruas disparando feixes a até 300 metros de distância e 30 metros de altura, gerando mapas em 3D.
“Um equipamento vai captar imagens, medir altura, diâmetro do tronco, volume da copa, inclinação, localização exata e ainda identificar a espécie. Esses dados serão fundamentais para a gestão do manejo urbano”, explicou Priscilla Cerqueira, diretora de arborização da prefeitura.
São Paulo será a primeira cidade do Brasil a adotar esse tipo de tecnologia para monitorar árvores urbanas. O investimento é de quase R$ 19 milhões e o trabalho deve durar três anos, abrangendo os 96 distritos da capital. A empresa contratada poderá utilizar até quatro veículos para agilizar a coleta. O censo começará pela Vila Mariana.
Para o professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP, a inovação representa um grande avanço:
“Vamos conseguir informações detalhadas sobre cada árvore, como estado do caule e possíveis inclinações, o que facilita identificar riscos e planejar novos plantios. Esse conjunto de dados dará segurança e eficiência à gestão da arborização urbana.”
Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), caso a empresa consiga concluir o trabalho em menos tempo, a prefeitura está preparada para antecipar o uso das informações. O material coletado será analisado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com apoio de médicos e engenheiros agrônomos, para orientar ações imediatas de manejo.
A medida é vista como estratégica diante dos efeitos das mudanças climáticas. Em março deste ano, mais de 300 árvores caíram em São Paulo durante um temporal, causando acidentes graves, inclusive a morte de um motorista atingido por uma árvore na região central.
Além de reforçar a segurança urbana, o novo banco de dados servirá para pesquisas acadêmicas, planejamento de plantios e preservação da biodiversidade. O Herbário Municipal já identificou 673 espécies nativas na capital, cerca de um terço das espécies registradas em todo o estado.