Golpe financeiro “pig butchering” desmantelado no Brasil – O suspeito de liderar um esquema de fraudes que fez uma aposentada de 70 anos perder R$ 37 milhões foi preso no Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (14). A prisão ocorreu em decorrência de uma investigação em andamento pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
O homem seria dono de uma das instituições financeiras que estão sendo alvo da investigação e teria recebido R$ 77 milhões em uma conta bancária vinculada ao seu CPF. As investigações indicam que o dineiro foi depositado rapidamente após a realização do golpe que afetou a aposentada.
Morador de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, o suspeito foi capturado com o apoio da Polícia Federal. Na quinta-feira (13), a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos havia deflagrado uma operação para desarticular a estrutura financeira do grupo, cumprindo 90 ordens judiciais nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Essa ação resultou na prisão de seis indivíduos, incluindo três proprietários de instituições financeiras envolvidas na conversão de dólares comuns em criptomoedas. Além deles, havia dois estrangeiros, um dos quais também era proprietário de uma instituição financeira. Também foi detido um gerente de um grande banco nacional, acusado de facilitar a criação de contas utilizadas pelo grupo para dispersar os valores recebidos das vítimas.
A fraude do “pig butchering”
As apurações revelaram que a aposentada foi vítima de uma modalidade de fraude internacional chamada “pig butchering” ou “abate ao porco”, que se originou no sudeste asiático. Trata-se de um esquema em que os criminosos “engordam” a vítima com promessas de investimentos lucrativos antes do “abate”, ou seja, do roubo do dinheiro.
No caso da aposentada, ela ignorou os conselhos do corretor que recomendava investimentos mais seguros e decidiu buscar opções mais arriscadas, levando-a a se envolver em um grupo de mensagens que simulava uma comunidade de estudos sobre o mercado financeiro. Lá, os falsos especialistas apresentavam análises de mercado positivas e lucros fictícios, convencendo-a a investir cada vez mais.
Os problemas começaram na hora de tentar resgatar seus investimentos. A plataforma bloqueava os saques e os criminosos começavam a exigir o pagamento de taxas e impostos que não existiam, impedindo-a de acessar seu próprio patrimônio.
Impacto financeiro do golpe
A investigação revelou que mais de 140 pessoas em todo o Brasil também foram expostas ao mesmo golpe. As movimentações financeiras eram alarmantes: uma das instituições investigadas movimentou R$ 295 milhões em um único dia apenas em conversões para criptoativos. Outro exemplo é uma empresa em São Paulo que mostrou movimentação atípica de R$ 500 milhões durante o período de investigação.
Somando tudo que foi identificado pela polícia, o total de transações suspeitas atinge R$ 30 bilhões, evidenciando a magnitude do esquema criminoso. Ao menos 140 potenciais vítimas estiveram expostas, alimentando um cenário alarmante de fraudes financeiras.
Esses números ressaltam a necessidade de se manter vigilante e cauteloso em relação a investimentos, principalmente aqueles que oferecem lucros excessivamente altos e promessas que parecem boas demais para ser verdade. A história da aposentada serve como um alerta para que pessoas de todas as idades, e especialmente os mais vulneráveis, estejam atentos a tentativas de fraudes que utilizam artifícios sofisticados para enganar suas vítimas.
A detenção dos envolvidos e as operações contra o golpe demonstram um esforço conjunto das forças de segurança para combater essa prática que visa á rápida enganagem e exploração financeira dos cidadãos.