Durante uma fiscalização-surpresa realizada nesta semana, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) identificou uma série de irregularidades relacionadas à alimentação escolar em unidades estaduais e municipais. Ao todo, 371 escolas foram vistoriadas — 262 municipais e 109 estaduais — distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, interior e litoral. Entre os problemas encontrados, destacam-se água imprópria para consumo em 77,84% das unidades, equipamentos quebrados em 31,27%, alimentos vencidos em 5,41%, armazenamento inadequado em 28,11% e falta de controle de temperatura em 34,59%.
Em casos específicos, a fiscalização detectou ovos sem identificação e leite em pó vencido em uma escola da capital, carne moída com plástico em Diadema e um forno enferrujado em Itapecerica da Serra. Em Mauá, materiais recicláveis foram armazenados em áreas destinadas à alimentação dos alunos. Além disso, 49,73% das escolas não tinham registro de fiscalização do Conselho de Alimentação Escolar e 24,26% das merendeiras estavam com uniformes inadequados.
Segundo Sérgio Rossi, chefe do gabinete da presidência do TCE, “essas irregularidades vão contra o objetivo do fornecimento da merenda escolar e são usadas para subsidiar a análise das contas das prefeituras e, eventualmente, do governo estadual”. Em nota, a Secretaria Estadual da Educação afirmou que já realizou 272 reformas em refeitórios e cozinhas, ressaltando que menos de 30% das escolas vistoriadas eram da rede estadual e que nenhuma apresentou problemas no fornecimento da merenda. A pasta também se colocou à disposição para esclarecimentos e aguarda os relatórios completos da fiscalização.