Chuvas torrenciais e tempestades associadas ao tufão Dolphin inundaram diversas províncias no leste da China, encharcando a região costeira e alagando ruas em Xangai, onde cerca de 40% dos voos foram suspensos nesta segunda-feira (10) devido às condições meteorológicas.
O Dolphin é o tufão mais forte a atingir a China este ano e deve avançar para o interior do país, em direção às províncias centrais de Hubei e Henan, nos próximos dias, ao mesmo tempo em que desloca umidade para o norte.
O fenômeno apresentava ventos máximos sustentados de 151 km/h perto de seu centro ao atingir a costa de Zhejiang — província situada ao sul e a oeste de Xangai — na noite de domingo, antes de enfraquecer e se tornar uma tempestade tropical.
As nuvens de chuva remanescentes do sistema continuaram a despejar grandes volumes de água sobre as províncias do leste, incluindo Anhui, Jiangsu e Shandong, nesta segunda-feira.
O que caracteriza o tufão
Segundo Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o tufão é um fenômeno meteorológico conhecido como ciclone tropical intenso e, em outras regiões do mundo, como furacão. Ele menciona que o tufão e o furacão são nomes dados aos mesmos sistemas: aos ciclones tropicais. “São máquinas térmicas que roubam energia do oceano e transferem para a atmosfera”, explica Camargo à CNN.
Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), o nome “furacão” é usado para sistemas formados no Atlântico Norte, no Pacífico Central Norte e no Pacífico Nordeste. Já tufão é a denominação adotada quando o fenômeno se desenvolve no Pacífico Noroeste, próximo a países como Japão, China e Filipinas. Nos oceanos Índico e Pacífico Sul, esse mesmo sistema recebe apenas o nome de ciclone tropical.
Estes sistemas extraem energia da superfície dos oceanos quando uma zona de baixa pressão se forma sobre as águas quentes, criando tempestades circulares, chuvas intensas e ventos fortes. Esses fenômenos geralmente se desenvolvem sobre águas com temperatura superior a 26,5°C e podem atingir centenas de quilômetros de diâmetro, permanecendo ativos durante vários dias.
Conforme a NOAA, quando os ventos sustentados alcançam aproximadamente 119 km/h, o sistema passa a ser classificado como furacão ou tufão. Furacões e tufões são classificados pela Escala Saffir-Simpson, que é dividida em cinco categorias conforme a velocidade dos ventos sustentados e o potencial destrutivo.
Consequências dos tufões
As consequências dos tufões são frequentemente devastadoras. Inundações, deslizamentos de terra e danos a infraestruturas são comuns nas áreas afetadas. Além disso, os ventos fortes podem causar a destruição de edifícios e derrubar árvores, colocando em risco a vida das pessoas.
A resposta governamental é fundamental para minimizar esses impactos. Evacuações, abrigos emergenciais e a restauração de serviços públicos, como eletricidade e água, precisam ser organizados rapidamente. Comunidades locais muitas vezes enfrentam longos períodos de recuperação após a passagem de um tufão.
Além dos estragos físicos, há impactos psicológicos significativos. A insegurança alimentar e a perda de propriedade podem levar a um estresse emocional intenso nas vítimas. Organizações não governamentais e agências de ajuda costumam desempenhar um papel vital, fornecendo assistência e suporte às comunidades afetadas.
Monitoramento e prevenção de tufões
O monitoramento de tufões é essencial para a segurança das regiões suscetíveis a esses fenômenos naturais. Tecnologias modernas, como satélites e radar meteorológico, permitem uma previsão mais precisa das condições climáticas. A implementação de sistemas de alerta precoce é crucial, permitindo que as populações se preparem adequadamente para eventuais evacuações.
Além disso, o planejamento urbano deve considerar o potencial impacto dos tufões. Construções devem seguir normas de resistência a ventos fortes e inundações. O reflorestamento e a preservação de áreas úmidas também são estratégias importantes para reduzir os impactos de enchentes.
A conscientização da população sobre os riscos e a cultura de preparação são fundamentais para a redução de danos. Programas educativos nas escolas e campanhas de informação podem ajudar a salvar vidas e minimizar perdas durante a temporada de tufões.
