A Polícia Civil de São Paulo revelou detalhes estarrecedores sobre o caso da universitária Ana Paula Veloso Fernandes, apontada como responsável por uma sequência de quatro assassinatos por envenenamento cometidos entre janeiro e maio de 2025, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A mulher, de 35 anos, teria transformado o veneno em sua principal arma para eliminar pessoas próximas com o objetivo de obter dinheiro e bens das vítimas.
Segundo as investigações, Ana Paula matou Marcelo Hari Fonseca, dono do imóvel onde morava; Maria Aparecida Rodrigues, uma amiga que conheceu por redes sociais; Neil Corrêa da Silva, um idoso de 65 anos; e Hayder Mhazres, um jovem tunisiano com quem mantinha um relacionamento. Todos apresentaram sinais típicos de intoxicação por substâncias tóxicas, como edemas pulmonares e falência múltipla de órgãos.
A polícia também afirma que a estudante contou com a ajuda de sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, e de Michelle Paiva da Silva, filha de uma das vítimas. Juntas, elas teriam planejado e executado os envenenamentos de maneira metódica. Michelle, segundo o Ministério Público, chegou a pagar R$ 4 mil para que as irmãs matassem o próprio pai, Neil Corrêa.
Os laudos ainda não confirmaram qual substância foi usada, mas os investigadores suspeitam de “chumbinho”, um veneno de rato altamente tóxico. Em um dos episódios mais macabros, a “serial killer” teria testado o produto em dez cães, para avaliar seus efeitos antes de aplicá-lo nas vítimas humanas.
Os crimes ocorreram de forma calculada. Em janeiro, o primeiro homicídio vitimou Marcelo, encontrado em decomposição na casa onde alugava um quarto para as irmãs. Em abril, Maria Aparecida foi morta após tomar café e bolo oferecidos por Ana Paula. Ainda no mesmo mês, Neil foi envenenado após comer uma feijoada supostamente preparada por ela. O último assassinato, em maio, vitimou o namorado tunisiano Hayder, de 21 anos, que morreu em seu apartamento após passar mal subitamente.
Todas as três envolvidas estão presas. Ana Paula permanece detida preventivamente em São Paulo; Roberta e Michelle estão presas em unidades de Guarulhos. A polícia ainda apura se há outras possíveis vítimas, já que o padrão de comportamento da acusada indica que os envenenamentos podem ter ocorrido antes mesmo de 2025.
O Ministério Público de São Paulo denunciou Ana Paula por quatro homicídios qualificados e deve apresentar novas acusações contra sua irmã e Michelle. As defesas das suspeitas ainda não se manifestaram. O caso, que ganhou repercussão nacional, tem sido comparado a episódios de assassinas em série conhecidas por agir com manipulação, planejamento e frieza emocional.
A investigação mostra que, por trás da imagem de uma estudante universitária, havia uma mulher capaz de planejar mortes silenciosas e cruéis, transformando o convívio social em instrumento para o crime.