Ícone do site A Voz de São Paulo

Vazamento radioativo na USP: áreas afetadas e riscos envolvidos

Vazamento radioativo na USP: áreas afetadas e riscos envolvidos

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) confirmou a ocorrência de um vazamento de material radioativo na sede do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), situada no campus da USP, em São Paulo. O incidente, registrado em 29 de maio, ficou restrito à área controlada do Centro de Radiofarmácia.

Origem e impacto do vazamento radioativo

Durante a produção de insumos para radioterapia, foram detectados traços de tecnécio-99. Este isótopo é amplamente utilizado na medicina nuclear e apresenta riscos se não for manejado adequadamente. Segundo o instituto, a contaminação atingiu inicialmente a vestimenta de um técnico e, posteriormente, um traço residual no piso afetou o calçado de um segundo operador.

Ambos os profissionais passaram por exames de “contagem de corpo inteiro”, que descartaram contaminação interna ou danos à saúde. O Ipen informou que não há riscos para o restante da universidade, e que os envolvidos já passaram por retreinamento.

Investigação do incidente e monitoramento

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) acompanha o caso e estabeleceu o prazo de 18 de junho para o cumprimento de exigências regulatórias. O incidente ocorre meses após um incêndio localizado atingir a sala de controle do reator do instituto, em março deste ano. Isso levanta questões sobre a segurança e o gerenciamento de riscos na operação das instalações.

O Ipen se manifestou por meio de nota, onde explicou que a contaminação foi identificada rapidamente e que as medidas de contenção foram tomadas imediatamente. A frase-chave é “vazamento de material radioativo”, que enfatiza a importância de uma gestão rigorosa de segurança nuclear.

Os procedimentos após o vazamento

De acordo com o Ipen, ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avaliou possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que os operadores não sofreram qualquer consequência à saúde. Por não haver sequelas ou riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação.

Os envolvidos passaram por retreinamento e o caso segue sob avaliação interna para o aprimoramento dos processos de controle e segurança. A ocorrência foi integralmente relatada à Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) por meio de um relatório técnico.

O Ipen destacou que contaminações pontuais em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), embora rigorosamente prevenidas, são ocorrências que podem eventualmente acontecer. Assim, todo incidente direciona o profissional ao monitoramento de dose acumulada e ao exame de corpo inteiro, garantindo a saúde dos trabalhadores.

O Centro de Radiofarmácia mantém em sua rotina um compromisso com a segurança. É comum que os funcionários apresentem doses acumuladas abaixo dos limites permitidos pelas leis trabalhistas. Como medida extra de segurança preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação, sua função é trocada e a atividade executada é revisada para garantir a redução da exposição e a melhoria do processo produtivo.

Paralelamente à produção diária, o Centro de Radiofarmácia mantém uma equipe de pesquisa ativa com projetos promissores, como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfa-emissores, como o Ac-225. O IPEN se destaca como um dos maiores fornecedores de radiofármacos para o Sistema Único de Saúde, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.

Este incidente ressalta a importância de protocolos rigorosos de segurança e a necessidade de constante treinamento dos profissionais envolvidos na manipulação de materiais radioativos. A transparência e a comunicação efetiva com as autoridades competentes, como a ANSN, são fundamentais para garantir a segurança de todos os envolvidos e da comunidade em geral.

(Com informações de Robson Rodrigues, Thiago Félix e Thomaz Coelho)

Sair da versão mobile