O corpo do ex-deputado estadual e histórico dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT), Paulo Frateschi, de 75 anos, começou a ser velado na manhã desta sexta-feira (7) no Salão Nobre da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O político, um dos fundadores do PT e figura de destaque na esquerda paulista, foi assassinado na quinta-feira (6) após ser esfaqueado durante uma briga com o filho, Francisco Frateschi, que enfrenta graves distúrbios psiquiátricos.
O velório, que começou às 8h, contou com a presença de autoridades, parlamentares, amigos e militantes petistas, que prestaram homenagens emocionadas a Frateschi. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, destacou o papel histórico do ex-deputado na consolidação do PT e lamentou a tragédia que encerra sua trajetória.
“É uma perda dolorosa. Paulo dedicou a vida à construção de um sonho de país mais justo e humano”, declarou o dirigente, visivelmente abalado.
A saída do cortejo fúnebre da Alesp está prevista para as 14h, com destino ao Cemitério Memorial Parque Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo. O sepultamento ocorrerá às 15h30. Frateschi deixa a esposa Yolanda Maux Vianna, filhas, netos e irmãos, entre eles o ator e dramaturgo Celso Frateschi.
Uma tragédia familiar
De acordo com o boletim de ocorrência, Paulo Frateschi foi atacado em casa, na Zona Oeste da capital, após uma discussão com o filho. Francisco teria entrado em surto psicótico e desferido golpes de faca contra o pai, atingindo-o na cabeça e no braço. Ele também agrediu a mãe, que sofreu suspeita de fratura, e a irmã, que não se feriu.
O ex-deputado chegou a ser socorrido e levado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. Francisco foi contido por policiais militares e levado, sob efeito de sedativos, à UPA da Lapa, onde continua internado sob custódia. Segundo o tenente-coronel Helder Antônio de Paula, o rapaz estava em surto e “falava de forma desconexa, sem compreender ordens, muito agressivo”.
A família, que divide a rotina entre São Paulo e Paraty (RJ), estava na capital para tentar internar Francisco, que apresentou os primeiros sinais de distúrbios mentais após sofrer um grave acidente de carro em 2015, que o deixou com sequelas físicas e emocionais.
Luto e homenagens
Amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frateschi era conhecido pelo engajamento político e pela lealdade às causas populares. A notícia da sua morte causou profunda comoção entre correligionários e figuras históricas do PT.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, escreveu nas redes sociais:
“Uma tristeza imensa. Paulão fará muita falta entre nós.”
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também lamentou:
“Nos despedimos de um homem fraterno e referência de compromisso público. Sua trajetória inspira toda uma geração.”
Outros nomes históricos do partido, como Emídio de Souza e José Dirceu, destacaram o legado de militância, coragem e fidelidade do ex-parlamentar às causas sociais e democráticas.
Um histórico de perdas
A tragédia que vitimou Paulo Frateschi se soma a uma série de perdas familiares. Ele já havia perdido dois filhos em acidentes de carro: Pedro, em 2002, aos 7 anos, e Júlio, em 2003, aos 16. Ambos morreram em acidentes rodoviários — um na Rodovia Carvalho Pinto, em Guararema (SP), e outro na Rio-Santos, entre Paraty e Angra dos Reis (RJ).
As sucessivas tragédias marcaram profundamente a vida do ex-deputado, que sempre buscou refúgio na militância política e na convivência familiar.
Paulo Frateschi deixa um legado reconhecido por aliados e adversários: o de um homem que acreditava na política como instrumento de transformação social. Sua morte trágica encerra um ciclo de vida dedicado à luta por justiça e igualdade no Brasil.