Os aeroportos de Guarulhos e Congonhas seguem enfrentando um dos maiores impactos operacionais dos últimos anos após o vendaval histórico que atingiu a Grande São Paulo entre quarta (10) e quinta-feira (11). Somente nesses dois dias, já são 408 voos cancelados — um volume que tem provocado caos nos terminais, longas filas, passageiros dormindo nos bancos e uma série de conexões perdidas em diferentes estados.
Na manhã desta quinta, o Aeroporto de Congonhas operava oficialmente, mas ainda com sérias limitações. O terminal registrou, até 15h30, 63 chegadas e 47 partidas canceladas, somando 110 suspensões apenas no dia. O cenário é reflexo direto da ventania inédita que atingiu o aeroporto, onde foram registradas rajadas de 96,3 km/h na quarta-feira, algo sem precedentes na região sem a presença de chuva ou tempestades.
Em Guarulhos, o maior aeroporto do país também sofreu forte impacto: foram canceladas 15 partidas e 39 chegadas nesta quinta, além de outras dezenas suspensas no dia anterior. Desde o início da crise climática, o GRU Airport acumula 122 cancelamentos. Mesmo com o grande volume de alterações, a concessionária afirma que a operação já está “normalizada”, embora as companhias aéreas sigam com ajustes na malha.
Os reflexos dos cancelamentos se espalharam para outros estados, como Rio de Janeiro e Brasília, cuja malha aérea depende diretamente das conexões de São Paulo. Passageiros relatam transtornos generalizados, falta de informações claras, realocação lenta e incerteza sobre novos horários. Muitas famílias e turistas, especialmente em viagens de fim de ano, ficaram retidas nos aeroportos.
Entre os casos relatados está o de Débora, que tenta embarcar de Congonhas para o Santos Dumont desde quarta-feira. Após sucessivas remarcações, o voo das 10h10 desta quinta também foi cancelado. A cearense Elza, que desembarcou em SP após sair de Fortaleza, deveria seguir para Florianópolis — no entanto, seu voo foi suspenso e a nova previsão de embarque só deve ocorrer entre os dias 14 e 15.
O vendaval que atingiu a Grande São Paulo provocou danos extensos em toda a região. Mais de 2 milhões de imóveis chegaram a ficar sem luz, dezenas de árvores caíram e parques foram fechados. Na manhã desta quinta, ainda havia mais de 1,5 milhão de residências e comércios sem energia. A falta de luz agravou o trânsito — com 235 semáforos apagados —, afetou o abastecimento de água em municípios como Guarulhos, Mauá, Cajamar e Itapecerica da Serra, e comprometeu serviços públicos.
A variação brusca dos ventos foi classificada por meteorologistas como um evento inédito, provocado pela passagem de um ciclone extratropical. Em muitos pontos da Grande São Paulo, os ventos passaram de 90 km/h e persistiram por mais de 12 horas, paralisando operações, danificando estruturas e provocando atrasos em cadeia na aviação comercial.
Com a demanda reprimida e a malha aérea ainda sendo reorganizada, os passageiros devem enfrentar novas alterações ao longo das próximas horas. Companhias recomendam que os viajantes consultem os aplicativos das empresas antes de sair de casa.