Política

Cooperativas podem ter custo extra de R$ 2,5 bi com mudanças fiscais

Cooperativas podem ter custo extra de R$ 2,5 bi com mudanças fiscais

A proposta de alteração na jornada de trabalho que visa extinguir o modelo 6×1 está avançando no Congresso Nacional, embora com ritmos distintos entre a Câmara e o Senado. Enquanto os deputados aceleram a discussão, os senadores mantêm uma abordagem mais cautelosa, sinalizando a possibilidade de mudanças no texto antes da aprovação.

Esse assunto tem gerado amplos debates em setores essenciais da economia, especialmente nas áreas que exigem produção contínua, como o agronegócio. A diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Patrícia Arantes, comentou em entrevista ao CNN Money que a efetivação da nova jornada pode resultar em um aumento significativo nos custos de produção em diversas cadeias do setor.

Impactos no Custo de Produção

Segundo Arantes, a indústria do etanol seria uma das mais impactadas, com custos adicionais estimados entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões por ano. A necessidade de aumentar as equipes para operar continuamente as usinas é um ponto crucial: “Na prática, a usina não para quando a gente está descansando no final de semana”, esclareceu.

No setor de proteínas, que inclui a produção de suínos e aves, os custos adicionais podem alcançar até R$ 9 bilhões anualmente. As cooperativas agropecuárias também enfrentariam um impacto significativo, estimado em R$ 2,5 bilhões por ano, especialmente em regiões como Paraná, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul, onde o modelo 6×1 é amplamente utilizado.

Produtividade e Flexibilidade no Agronegócio

Arantes enfatizou que o agronegócio brasileiro tem demonstrado ganhos constantes em produtividade. Com base em um estudo do IPEA, que utiliza dados do USDA, ela afirmou que a produtividade do setor cresceu, em média, 3,2% ao ano entre 2000 e 2019, superando a média global de 1,7%.

Esse desempenho ilustra que o atual modelo de organização das jornadas de trabalho tem sido eficaz para o crescimento do setor e da economia brasileira. “Com jornadas adequadas, conseguimos propiciar o crescimento do setor e da economia do país conforme necessário”, afirmou a executiva da SRB.

Considerações sobre a Mudança de Legislação

Para a diretora da SRB, a alteração na legislação seria, na verdade, desnecessária. Muitas das cadeias produtivas do agronegócio já têm acordos coletivos que garantem jornadas diferenciadas, atendendo às necessidades específicas de cada setor. Arantes apontou que a prevalência do negociado sobre o legislado, fortalecida após a reforma trabalhista, confere a flexibilidade necessária para acomodar as particularidades de cada atividade produtiva.

Outro ponto crítico apontado por Arantes é a escassez de mão de obra qualificada. Somente no setor de alimentação, há cerca de 500 mil vagas disponíveis, e uma possível redução da jornada de trabalho pode elevar os preços em até 10% nos restaurantes, complicando ainda mais a situação. “A nossa conta é muito difícil de ser equacionada quando vemos um mercado de trabalho que precisa contratar, mas que enfrenta dificuldades devido à falta de qualificação!”, concluiu.

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