Polícia

MPRJ denuncia Marcinho VP e Oruam por lavagem de dinheiro

MPRJ denuncia Marcinho VP e Oruam por lavagem de dinheiro

O MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) fez uma denúncia contundente envolvendo Marcinho VP, Márcio Santos Nepumuceno, junto com sua mulher, Marcia Gama Nepomuceno, e seu filho Oruam, Mauro Nepomuceno, por crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Essa ação evidencia a persistência do crime organizado nas estruturas familiares.

A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada argumenta que Marcinho VP, que cumpre pena há mais de 20 anos, ainda mantém um papel de liderança no Comando Vermelho, controlando movimentações financeiras e definindo estratégias para a perpetuação da facção. Além da família, outras nove pessoas do CV foram igualmente denunciadas.

A denúncia avança após uma operação da Polícia Civil no dia 29, que buscou cumprir mandados de prisão e apreensão contra os acusados.

Segundo os relatos, Marcia Nepomuceno é a gestora financeira do grupo, recebendo quantias significativas de traficantes associados ao Comando Vermelho, como Doca e Abelha. Para desempenhar o processo de lavagem de dinheiro, ela teria investido em negócios próprios, além de administrar imóveis e fazendas.

Além disso, Oruam, o rapper, também estaria envolvido na lavagem, utilizando sua carreira musical para ocultar os lucros oriundos do tráfico de drogas. As investigações revelam que ele teria recebido diretamente valores de Doca e Pezão para seu uso pessoal, incluindo viagens e festas.

Estruturas do Comando Vermelho

A Promotoria delineou o funcionamento do Comando Vermelho, dividindo-o em quatro núcleos: liderança encarcerada, o núcleo familiar, os “testas de ferro” e a liderança operacional. Marcinho VP, mesmo preso, continuaria a tomar decisões cruciais e a movimentar recursos finaceiros.

O núcleo familiar conta com sua esposa e filho, Marcia e Oruam, que seriam responsáveis por executar as ordens advindas do encarcerado e pela gestão de bens e dinheiro. Já os “testas de ferro” incluem Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, e Jeferson Lima Assis, que colaboram na lavagem de dinheiro.

Os líderes operacionais são indivíduos como Doca, Abelha, Pezão, entre outros, que atuam ativamente nas comunidades.

A Operação da Polícia Civil

Na manhã da última quarta-feira (29), foram emitidos mandados contra Oruam e seus familiares em uma operação contra o CV, mas nenhum deles foi encontrado, tornando-os foragidos. O objetivo da operação era desarticular o braço financeiro da facção, focando na lavagem de dinheiro oriunda do tráfico de drogas.

Além dos mandados de prisão, foram realizadas buscas em residências em Jacarepaguá e Barra da Tijuca. Durante a ação, um homem identificado como Carlos Alexandre Martins da Silva foi preso, sendo apontado como operador financeiro de Márcia Nepomuceno. Os valores obtidos pelo tráfico estavam sendo utilizados por operadores financeiros para ocultar bens e adquirir propriedades.

Investigadores descobriram conversas entre Carlos Costa Neves, conhecido como “Gardenal”, e um miliciano, que enfatizam a influência de Marcinho VP, mesmo com sua longa pena, reforçando-se como figura central na estrutura do Comando Vermelho.